Relatório Mensal de Abril
- GEPESOI

- 30 de abr.
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ÁFRICA: A Democracia em xeque na África Ocidental e liderança da Burkina Faso nessa nova onda.
O líder militar e presidente transitório da Burkina Faso, Ibrahim Traoré, deu pé atrás da sua promessa de democratização, afirmando em mídia nacional que “A democracia não é para nós” e “Democracias matam” (2/4). Visto como uma das figuras anti-imperialistas, Traoré subiu ao poder em 2023, em meio de um golpe de estado, prometendo eleições no próximo ano. Porém, o prolongamento da junta, mais o banimento do multipartidarismo no início desse ano, puseram fim a qualquer laço democrático da nação.
Para Traoré, este movimento autoritário, é uma tentativa de afastamento da intervenção ocidental, e a construção de um projeto revolucionário pan-africanista, pautando no patriotismo e no legado do Sankarismo. A Burkina Faso, junto à Aliança dos Estados do Sahel (AES), concentra-se na mesma ideologia antiocidental e luta contra militantes islâmicos. Portanto, há a possibilidade de uma mudança política na região, com grande suporte do pan-africanismo por parcelas da população do continente.
AMÉRICA DO NORTE: EUA e os bloqueios do Estreito de Ormuz.
Após o fracasso das primeiras rodadas de negociação mediadas pelo Paquistão, nas quais o vice-presidente norte americano J.D. Vance e o enviado Steve Witkoff representariam os EUA, o presidente Donald Trump anunciou, em abril de 2026, um bloqueio naval de todos os portos iranianos para pressionar Teerã a reabrir o Estreito de Ormuz. O Comando Central dos EUA comunicou que qualquer embarcação que entrasse ou saísse da área bloqueada sem autorização estaria sujeita a interceptação e captura, com exceção de comboios humanitários.
O impacto foi imediato: o fluxo de navios no Estreito de Ormuz por onde passava, antes da guerra, cerca de 20% do petróleo mundial, despencou de 140 para apenas 3 travessias diárias. O preço do petróleo voltou a exceder US$100 o barril. Em retaliação, no dia 22 de abril, a Guarda Revolucionária Iraniana apreendeu dois navios no Golfo Pérsico: um cargueiro de empresa grega, com bandeira da Libéria e um porta-contêineres de empresa suíça, com bandeira do Panamá. Teerã expressou suas ameaças, anunciando que abandonaria qualquer processo diplomático caso o bloqueio norte americano se mantenha. Diante das declarações iranianas, Trump estendeu o cessar-fogo por prazo indeterminado via redes sociais, mas determinou a continuidade do bloqueio, exigindo do Irã uma proposta concreta para encerrar o conflito.
AMÉRICA DO SUL E CENTRAL: Eleições no Peru e Colômbia sob o olhar da América Latina.
Em meio às polêmicas ocorridas no primeiro turno das eleições presidenciais no Peru, que já somam mais de dez dias sem um resultado claro sobre quais candidatos irão ao segundo turno, países latino-americanos analisam com cautela uma possível onda conservadora ganhando força na região, o que tem gerado preocupação. Observadores internacionais intensificam a atenção em relação à transparência das eleições peruanas e projetam um cenário polarizado entre direita e esquerda também na eleição da Colômbia.
O que evidencia essa bipolaridade política, presente na maior parte dos países latino-americanos, é a fragmentação da população e a crescente demanda por governos com propostas mais radicais, que prometem soluções rápidas para problemas estruturais complexos, como crises econômicas, desinformação e o descrédito nas instituições democráticas. Nesse contexto, um dos primeiros resultados eleitorais que sugerem o fortalecimento de governos de direita foi a eleição na Costa Rica, que levou ao poder Laura Fernández, além da possível vitória da candidata peruana Keiko Fujimori.
Essa preocupação com o avanço da direita mais radical decorre do temor de um maior isolamento desses países, de um alinhamento político e econômico mais estreito com um governo dos Estados Unidos potencialmente associado à exploração e intervenções, além do risco de crises político-sociais e do enfraquecimento do compromisso com os direitos humanos.
ÁSIA: Aumento das movimentações militares no continente asiático.
À medida que a crise no Estreito de Ormuz progride no Oriente Médio, cresce também a interferência de países no assunto e mais notoriamente a presença de grupos independentes, como é o caso dos Houthis. Em uma tentativa mais recente de encontrar uma solução para o embate entre EUA e Irã, uma conferência realizada em Islamabad, no Paquistão, reuniu autoridades de ambos os países, na qual levantaram suas principais exigências. A negociação, que durou cerca de 20 horas, foi repleta de divergências que impediram uma conclusão satisfatória para o conflito. Em contrapartida ao cenário desanimador, foi marcada uma segunda rodada de discussões no sábado, dia 26 de abril.
O Extremo Oriente, em paralelo à isso, demonstra acompanhar a tendência armamentista e militar que infringe a região à oeste. De acordo com o serviço de inspeção nuclear das Nações Unidas, a Coréia do Norte segue a desenvolver o seu programa nuclear, avanço observado desde o começo de 2026. O Japão, por sua vez, marcou sua participação no Exercício Balikatan, ao enviar o seu maior número de combatentes, desde 1945, para as Filipinas. Por fim, uma nova parceria militar entre a Indonésia e os Estados Unidos foi firmada e caracterizada como um acordo bilateral de defesa.
Tais notícias no continente asiático, ainda que desanimadoras, são reflexo da situação hostil na qual se encontra o momento atual do mundo. Contudo, nada indica necessidade de alarme, pois ações como o veto da China em resolução da ONU que poderia aumentar o risco de violência em Ormuz, o cessar-fogo entre Líbano e Israel, além do seu respectivo prorrogamento e, como citado anteriormente, a segunda rodada de negociações no Paquistão, visando desacelerar o conflito no Oriente Médio, são sinais de que há uma efetiva tentativa de instaurar a paz.
EUROPA: Impactos no setor aeronáutico europeu advindos da crise do petróleo causada pelo conflito no Estreito de Ormuz.
Recentemente, devido aos conflitos no Oriente Médio mediante ao estreito de Ormuz, o Continente Europeu se encontra em meio a uma crise energética, agravada pela instabilidade no fornecimento global de petróleo, fator determinante no crescimento do risco de escassez de querosene de aviação (JET A-1) no continente. Segundo alertas recentes de entidades do setor aeroportuário e da Agência Internacional de Energia, a Europa pode enfrentar dificuldades no abastecimento já nas próximas semanas, o que coloca em alerta aeroportos, companhias aéreas e governos. A crise do petróleo que vem assolando essa região é resultado direto da redução na oferta de petróleo e seus derivados, além das limitações e falhas logísticas e da alta dependência europeia de importações de fontes energéticas. O querosene de aviação, essencial para o funcionamento do setor aéreo, é particularmente afetado, o que pode ocasionar aumento no preço das passagens, diminuição de voos e até cancelamentos em larga escala, o que impacta o turismo local, o comércio e a integração econômica do bloco europeu.
Diante disso, a União Europeia anunciou, nesta semana, um conjunto de medidas emergenciais que visam a contenção dos efeitos dessa crise, reduzindo os impactos imediatos e a vulnerabilidade estrutural do continente diante de choques externos, essas medidas incluem a busca por novos fornecedores, a diversificação das fontes de energia, o reforço estratégico de seus estoques e a cooperação entre os países-membros.
Dessa forma, essa crise não apenas evidencia a fragilidade energética europeia, mas também revela os riscos para setores que possuem alta dependência de combustíveis fósseis, como a aviação. Essa situação destaca a necessidade urgente de alternativas sustentáveis e de mais autonomia energética a longo prazo.
OCEANIA: O incêndio na refinaria Viva Energy e seus impactos no atual comércio internacional de petróleo.
Em meio à crise internacional do abastecimento de petróleo e energia, exponencializado pelas instabilidades no Estreito de Ormuz decorrentes do conflito entre Estados Unidos e Irã, uma das principais refinarias de petróleo australiana, Viva Energy, em Geelong, foi atingida por um grande incêndio em duas de suas unidades. O incidente preocupa o governo da Austrália, pois tal calamidade impacta diretamente a produção de combustíveis para abastecimento interno, especialmente na produção de gasolina e de querosene de aviação (jet fuel), tendo em vista que as mercadorias importadas do Oriente Médio estão interrompidas e são incertas acerca de seu retorno.
O polo, que é uma das últimas unidades de refinaria no país, o que simboliza sua importância para a não-dependência exclusiva de importações, é responsável por 10% da demanda total da Austrália, produzindo em média 120.000 barris de petróleo por dia. Até que os prejuízos sejam sanados e a produção seja restaurada, o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, está agendando visitas à países regionais aliados fornecedores de combustíveis, como a Malásia. Segundo o Corpo de Bombeiros de Victoria, ninguém ficou ferido.
Elena Nora (Ásia)
Henrique Lopes (África)
Jonas Pessoa (Oceania)
Luiza Formici (Europa)
Otávio Tonon (América do Norte)
Yasmin Rodrigues (América do Sul e Central)
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