RELATÓRIO MENSAL DE MAIO
- GEPESOI

- 3 de jun. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 4 de jun. de 2025
Autores: Vitória Martins de Oliveira, Elisama Santarém, Stephanie Cristina, Maria Clara Garcia e Robert do Carmo.
Objetivo: Mapear os maiores acontecimentos de maio ao redor do mundo.

África
Contando com a presença de mais de 2.800 líderes, incluindo seis líderes de Estado, aconteceu em Abidjan, Costa do Marfim nos dias 12-13 de maio, a 12° edição da Africa CEO Forum (uma das principais reuniões anuais entre o setor público e privado do continente). As pautas centrais do encontro foram a energia nuclear e o seu pilar estratégico para o desenvolvimento da África, a estrutura regulatória para a inteligência artificial no continente e a infraestrutura como espinha dorsal da industrialização africana.
Nesse sentido, o CEO da Corporação de Energia Nuclear da África do Sul, Looyiso Tyabashe, destacou a necessidade de integrar a energia nuclear com fontes renováveis para garantir maior fornecimento de energia estável e acessível. Ademais, o encontro deu espaço para que, assim como vem acontecendo no cenário internacional, a África comece seu próprio processo para regulamentar a Inteligência Artificial. Consequentemente, a infraestrutura robusta serve como base para a implementação de tais avanços, assim, o Africa CEO Forum reafirmou que investir em infraestrutura é investir em um futuro próspero e industrializado ao lado de tecnologias nucleares.
América Central e do Sul
Faleceu, no dia 13 de maio, José (Pepe) Mujica, ex-presidente do Uruguai. Mujica foi militante do Partido Nacional e do Movimento de Libertação-Tupamaros (MLN-T), antes de ingressar na carreira política. O ex-presidente lutou contra o regime repressivo do Uruguai, durante as décadas de 1970 e 1980 e foi mantido preso por 14 anos. Em 2005, pela Frente Ampla (coalizão de partidos de esquerda e centro do país), Pepe Mujica foi nomeado Ministro da Pecuária, Agricultura e Pesca, onde atuou até 2008. O mandato do ex-presidente durou entre os anos de 2010 e 2015 e foi marcado por grande apoio popular (aproximadamente 70% de aprovação). Segundo informações apuradas pela BBC, a economia uruguaia obteve crescimento de 5,4% na média anual durante seus anos de presidência. Além disso, o índice de pobreza do país decaiu e os níveis de desemprego se mantiveram baixos. Outrossim, durante seu governo, o Uruguai registrou um aumento na aprovação de leis sociais - como a descriminalização do aborto e o reconhecimento do casamento homoafetivo.
Mujica faleceu aos 89 anos, após anos de combate a um câncer severo no esôfago. O ex-presidente uruguaio deixou sua marca na história como uma das figuras mais importantes na luta social e política da América Latina. Pepe chegou a participar de um evento promovido pela Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Unesp, em Franca, pelo curso de Relações Internacionais. Na ocasião, o político argumentou acerca da ditadura nos países latinoamericanos e seus impactos na atualidade - tema que permeou toda a sua trajetória, na busca de garantir a ampliação e o acesso aos direitos sociais das camadas populares.
América do Norte
A administração do presidente Donald Trump realizou cortes significativos sobre os investimentos de Harvard após a universidade se recusar a atender as exigências do governo, as quais incluíam o encerramento de programas de diversidade, equidade e inclusão, o que ameaça a estabilidade de diversos alunos internacionais da instituição.
Nesse sentido, o governo Trump tem atacado instituições percebidas enquanto “liberais”, e tem se incomodado com as manifestações Pró-Palestina que ocorrem no ambiente universitário. Em retaliação, Harvard entrou com um processo contra o governo estadunidense por este ter congelado US$2,2 bilhões em financiamento, na tentativa de cercear a autonomia da instituição de ensino.
Ásia
Líderes da ASEAN discutem crise em Myanmar e tarifas dos EUA em cúpula na Malásia
Kuala Lumpur, nos dias 26 e 27 de maio de 2025, sediou a 46ª Cúpula da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático) reunindo líderes dos 10 países do Sudeste Asiático para debater temas centrais da geopolítica regional. Entre os principais tópicos estiveram a crise em Myanmar, ainda marcada por violência e deslocamentos após o golpe militar de 2021, as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos que afetam diretamente as exportações de países como Vietnã, Indonésia e Camboja e as tensões no Mar do Sul da China. O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, propôs a nomeação de um enviado permanente para tratar da situação em Myanmar e defendeu uma resposta econômica unificada diante do protecionismo americano.
A cúpula também lançou a “Visão Comunitária da ASEAN 2045”, que estabelece metas para tornar o bloco mais resiliente, integrado e centrado no bem-estar da população. A Malásia anunciou ainda a realização da primeira reunião ASEAN-GCC Plus China, como parte do esforço para ampliar os laços com o Oriente Médio e a China. As discussões sinalizam uma ASEAN mais proativa diante de desafios externos e internos, embora a falta de consenso pleno entre os membros continue a limitar ações mais contundentes em temas como segurança e democracia regional.
Europa
Após o falecimento do Papa Francisco, foi eleito no dia 8 de maio, através do conclave, Robert Prevost como o novo líder da Igreja Católica, sob o nome de Leão XIV. O cardeal estadunidense teve grande parte de sua atuação religiosa no Peru, e agora promete assumir o Vaticano dando ênfase na justiça social e no bem-estar dos mais vulneráveis, com uma postura reformista, alinhado com a linha de abertura característica de Francisco, ainda que mais reservado e menos expansivo.
Líderes de todo o mundo vieram a público parabenizar Leão pela eleição, entre eles o presidente norte americano Donald Trump, que diz estar “ansioso para conhece-lo”, ainda que tenha sido alvo de críticas de Robert no passado.
Oceania
Após os resultados das últimas eleições australianas, com a reeleição do primeiro-ministro Anthony Albanese, do partido trabalhista, a coalizão conservadora Liberal-Nacional se rompeu por divergências internas com o seu parceiro. O líder dos Nacionais, David Littleproud disse que foi uma decisão difícil de se tomar, mas que espera retomar a coligação no futuro.
Diante desse cenário, os liberais continuam sendo a oposição oficial do governo por ocuparem o segundo maior número de cadeiras no parlamento, mas agora não contam mais com os nacionais, que não ocupam nenhum papel de oposição por terem decidido sair da coalizão.





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