Relatório Mensal de Maio
- GEPESOI

- 7 de jun.
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ÁFRICA: O avanço dos grupos jihadistas e os desafios do Mali para a segurança regional.
Durante o mês de maio, o Mali voltou ao centro das atenções internacionais após uma série de ataques realizados por grupos jihadistas ligados ao Al-Qaeda. As ofensivas ocorreram em diferentes regiões do país e evidenciaram as dificuldades enfrentadas pelo governo militar malinês para controlar o território, mesmo após anos de operações de combate ao terrorismo e da retirada das tropas francesas da região.
A escalada da violência também levanta questionamentos sobre a capacidade da Aliança dos Estados do Sahel (AES) - formada por Mali, Burkina Faso e Níger - de responder às ameaças de segurança que afetam a região. Criada com o objetivo de fortalecer a cooperação militar entre os três países, a aliança é vista pelos governos locais como uma alternativa às iniciativas conduzidas por potências ocidentais. No entanto, os recentes ataques demonstram que os desafios permanecem significativos.
Além das consequências humanitárias e de segurança, a situação do Mali possui forte relevância geopolítica. O país tornou-se um dos principais símbolos da reconfiguração política da África Ocidental, marcada pelo afastamento da influência francesa e pela busca de novas parcerias internacionais. Nesse contexto, a persistência da violência extremista representa um dos maiores obstáculos para os projetos de estabilidade e soberania defendidos pelos governos militares da região.
AMÉRICA DO NORTE: EUA classificam PCC e CV como organizações terroristas
Na última quinta-feira (28), o Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
O comunicado feito pelo secretário de Estado, Marco Rubio afirma que o CV e o PCC “são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil” e que serão qualificadas como Organizações Terroristas Estrangeiras a partir de 5 de junho. A medida foi divulgada dois dias após a visita de Flávio Bolsonaro (senador do PL-RJ e candidato à Presidência do Brasil) à Casa Branca, solicitando justamente essa determinação.
Especialistas apontam que PCC e CV atuam principalmente como organizações criminosas, e não com motivações políticas, ideológicas ou religiosas - traços comuns de organizações terroristas. Além disso, a medida levantou preocupações sobre possíveis impactos na economia e na soberania brasileira e na atuação dos EUA em temas de segurança na América Latina.
AMÉRICA DO SUL E CENTRAL: Acordo Mercosul-UE entra em vigor de forma provisória em 1º de maio de 2026.
Esse acordo, que une dois dos maiores blocos comerciais do mundo, teve as negociações iniciadas em 1999, passou décadas sendo estruturado até ser politicamente concluído em 2024 e agora, em 2026, foi formalmente assinado e entrou em vigor de forma provisória.
Esse acordo cria uma zona de livre comércio com a isenção de tarifas sobre a importação de diversos produtos, o Mercosul vai zerar tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos, enquanto a UE eliminará tarifas sobre 95% dos bens vendidos pelo Mercosul em até 12 anos, as exportações da UE para o Mercosul devem crescer quase 50 bilhões de euros até 2040, enquanto as exportações do Mercosul, por sua vez, poderão aumentar em até 9 bilhões de euros.
Existem perspectivas de cooperação política entre os blocos nesse acordo, mas no momento apenas a parte comercial está em vigor, para que outras propostas sejam efetivadas, seria necessário o acordo ser assinado concretamente, o que ainda será precedido por longos diálogos entre os países em seus respectivos blocos. Com o parlamento europeu tendo judicializado esse acordo, para sua revisão de acordo com as normas jurídicas do bloco, a oficialização total do acordo pode demorar até dois anos.
Outro ponto importante a se abordar é que já nesse primeiro mês houve um conflito de interesses entre alguns países da América do Sul, Argentina e Uruguai esgotaram integralmente as cotas isentas de tarifas para produtos como arroz e ovos logo no início, aproveitando o critério First-In, First-Out, que privilegia quem registra as exportações primeiro. O Brasil, que liderou décadas de negociação, ficou em desvantagem operacional no início da implementação.
ÁSIA: Tensão entre China e Taiwan, Ataques de Israel ao Líbano e negociações entre EUA e Irã
A China tem pressionado Taiwan aumentando sua presença militar ao redor da ilha, e Taipei está em alerta máximo para novas ações chinesas depois que o presidente Xi Jinping discutiu Taiwan com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Pequim neste mês. O secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional de Taiwan, Joseph Wu, afirmou que a China havia mobilizado mais de 100 navios ao longo da primeira cadeia de ilhas, uma área que se estende do Japão até Taiwan e nas Filipinas, continuando com as “patrulhas de prontidão” chinesas que estão sendo realizadas ao longo do mês de maio ao redor da ilha taiwanesa.
Já na região do Oriente Médio, Israel voltou a intensificar os ataques ao Líbano, incluindo a capital Beirute, como uma resposta,segundo especialistas, ao uso de drones pelo Hezbollah contra o norte do território israelense.Assim, forças israelenses já retomaram bombardeios a posições do Hezbollah no Vale do Beqaa e no sul do Líbano, região que, em parte, segue sob ocupação israelense. Segundo as autoridades do Líbano, os ataques israelenses no sul do país, onde Israel ampliou sua “zona de combate” contra o grupo pró-Irã Hezbollah, mataram 14 pessoas e outras três morreram perto de Beirute, apesar de um cessar-fogo em vigor desde 17 de abril. É analisado como o evento pode impactar as negociações entre Estados Unidos e Irã,que estavam aparentemente progredindo no mês de maio,apesar de evidentes discordâncias entre as nações, relacionadas principalmente ao programa nuclear iraniano e as sanções estadunidenses.
Diante dos acontecimentos no continente asiático, uma certa tensão entre as nações pode acabar desenvolvendo desdobramentos cruciais para o cenário geopolítico atual e afetar uma possível diplomacia equilibrada.
EUROPA: "Made in Europe" e o Protecionismo da União Europeia.
A União Europeia lançou as regras "Made in Europe", um plano que exige que empresas usem um mínimo de componentes europeus para acessar fundos públicos em setores estratégicos como automóveis, aço e tecnologia verde. A resposta da China não demorou: o Ministério do Comércio chinês enviou comentários à Comissão Europeia expressando "preocupações sérias" e avisou que, se a UE avançar com a legislação e prejudicar interesses de empresas chinesas, a China não terá outra opção a não ser adotar represálias.
A proposta europeia, sendo o ponto central da disputa, tem como alvo os fabricantes chineses de baterias e veículos elétricos, exigindo que empresas estrangeiras se associem a companhias europeias e transfiram tecnologia ao se instalarem no bloco. A Câmara de Comércio Chinesa na UE já advertiu que o plano representa uma guinada em direção ao protecionismo, o que pode afetar a cooperação comercial entre as duas regiões.
O mundo assiste a mais umna rodada da guerra comercial global, dessa vez entre dois dos maiores blocos econômicos do planeta.
OCEANIA: O Pacífico em Disputa: A Estratégia por trás do Vuvale Union.
A assinatura do Vuvale Union ocorre em um contexto de crescente competição estratégica no Pacífico. Nos últimos anos, a Austrália tem intensificado seus esforços para fortalecer suas relações com os países insulares da região, firmando acordos de cooperação com parceiros como Tuvalu, Nauru e Papua-Nova Guiné. Esse movimento está diretamente relacionado ao aumento da presença chinesa no Pacífico, impulsionada por investimentos em infraestrutura e pela ampliação de sua influência política e econômica. Nesse cenário, Fiji ocupa uma posição de destaque por ser uma das principais economias da região, sediar o Fórum das Ilhas do Pacífico e possuir uma força militar própria, despertando interesse de aproximação dos dois lados.
Mais do que um acordo bilateral, o Vuvale Union reflete a tentativa australiana de consolidar sua posição como principal parceira de segurança no Pacífico. Ao fortalecer a cooperação com Fiji no combate ao crime transnacional, ao tráfico de drogas e a outras ameaças regionais, o tratado também busca oferecer uma alternativa à crescente atuação chinesa. Além disso, o acordo pode servir de modelo para futuras parcerias na região, especialmente em um momento em que a influência de potências externas tem se tornado um tema cada vez mais 1 relevante para os países do Pacífico e com as dificuldades enfrentadas por Canberra para concluir acordos semelhantes com países como Vanuatu, onde a influência chinesa continua sendo um fator relevante nas decisões políticas e estratégicas locais.
Isabela Felippe (Ásia)
Nicolas Salli (África)
Samuel Rocha (América do Sul e Central)
Ferrucio Domênico (Europa)
Stephanie Schneider (América do Norte)
Yasmin Rodrigues (Oceania)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
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AP. A bitter Eid al-Adha in Mali’s capital as al-Qaida-linked blockade sends sheep prices soaring. The Associated Press, 2026. Disponível em: <https://apnews.com/article/mali-insecurity-eid-aladha-bamako-jnim-4011ccc0a85421c83d5365d2201fadfa>. Acesso em: 29 mai. 2026.
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BBC NEWS BRASIL. EUA classificaram PCC e CV como terroristas 'após pressão dos Bolsonaros', diz NY Times; como a imprensa internacional noticiou decisão. BBC News Brasil, [s.l.], [2026]. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/cpqp8nx9rgjo. Acesso em: 29 mai. 2026.
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G1. EUA vão classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, diz Rubio. G1 Mundo, 28 maio 2026. Disponível em: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/05/28/eua-vao-classificar-pcc-e-comando-vermelho-como-organizacoes-terroristas-diz-rubio.ghtml. Acesso em: 29 mai. 2026.
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