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A Educação Brasileira diante da COVID-19

  • Foto do escritor: GEPESOI
    GEPESOI
  • 18 de mai. de 2020
  • 5 min de leitura

Autores: Maria Teresa Liuti Ponce; Martina Matsura; Vanessa Souza.



Com o início da quarentena em todo o país e o cancelamento das aulas presenciais em todos os níveis escolares, educação precisou adaptar-se à nova realidade instaurada no país. O ensino a distância escancarou a realidade da educação no país, deixou todas as falhas educacionais mais latentes, principalmente a grande lacuna que separa o ensino público do particular. Enquanto, alunos da classe média e alta possuem estruturas adequadas ao ensino a distância, grande parte dos alunos de escolas públicas não possuem acesso a internet, muito menos de um dispositivo para se conectar ou de um lugar em que possam estudar e assistir as aulas em sua residência.


O contexto brasileiro nunca foi favorável para a população de baixa renda, um país onde 35 milhões de brasileiros não têm acesso à água tratada e 100 milhões não são abarcados pela coleta e tratamento de esgoto, a preocupação com a educação obviamente é posta em segundo plano. Tudo isso é resultado de uma desigualdade histórica e que foi, com o tempo, absorvida e cristalizada na sociedade e, atualmente, sob uma gestão governamental descoordenada, observa-se a situação de uma nova perspectiva, na qual nos atentamos muito mais na forma pela qual crianças e jovens vêm aprendendo nesses últimos meses. Outrossim, tudo isto se torna uma barreira ainda maior para uma boa preparação com o intuito de enfrentar os vestibulares; as desigualdades se potencializam e os professores - ainda pouco valorizados no país - precisam mostrar-se resilientes e criativos para que seus alunos possam aprender diante de tais adversidades.


Nas últimas falas do ministro da educação - Abraham Weintraub - foi explícita sua ideia de que o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) é uma competição; mas como seria uma forma de concorrência justa se dentre os 2,8 milhões de candidatos, existam adolescentes tendo aulas quase normalmente por meios avançados de acompanhamento virtual e outros acompanhando professores por rádio?


De acordo com a Pesquisa TIC Domicílio (Tecnologias de Informação e Comunicação nos Domicílios Brasileiros), feita em 2018, mais de 30% das casas não têm acesso a internet e 80% dos alunos do ensino médio vem da rede pública. Esse dados mostram que o impactos nas classes mais pobres será maior do que nas classes mais altas acirrando ainda mais as desigualdades. A educação pública, com sérios problemas, vê sua distância com o ensino particular aumentar posto que não possui meios melhores que possam chegar às famílias, as quais passam por diferentes dificuldades para enfrentar este novo vírus.


O necessário torna-se não somente oferecer o EAD, mas também disponibilizar aos alunos meios para que eles de fato obtenham o ensino, sejam possibilitados de acompanhar aulas de qualidade através de maneiras adequadas às suas distintas situações, ou seja, adaptadas para a sua realidade. Isso é muito sentido principalmente nas camadas mais pobres da sociedade, mas essa também é uma barreira enfrentado por alunos especiais, que precisam de diferentes didáticas de aprendizado e tem maior necessidade do acompanhamento direto de um educador para realizarem suas tarefas e atividades escolares.


Desse modo, fica claro que esse período exige que os gestores educacionais pensem fora da caixa. Sem uma unidade nacional, professores, diretores e políticos de cada região têm trazido diferentes respostas a esse obstáculo. Exemplo dessa situação são as medidas adotadas pelo estado do Amazonas - que já há uma década lida com a realidade do ensino a distância devido a suas enormes distâncias geográficas e o difícil acesso a algumas regiões do estado - lá o governo estadual atua com um centro de mídias que transmite aulas gravadas e ao vivo pela TV, internet e rádios para o interior do estado, e nesse momento de Pandemia, o Amazonas já contava com um acervo de aulas recordadas que puderam ser disponibilizadas para a população.


Ademais, mesmo com algumas respostas obtendo sucesso, a realidade da educação brasileira durante a COVID-19 ainda é muito distinta entre a sociedade, e isso torna testes como vestibulares, entre eles especialmente o Enem - por ser um Exame Nacional- ainda mais injustos. Assim, várias instituições, associações e grupos de estudantes solicitaram o adiamento do Enem ( Exame Nacional do Ensino Médio) devido ao acesso desigual à educação nesse momento, principalmente, dos mais carentes. Com isso, surgiu um movimento nas redes sociais chamando “Adia Enem” com o intuito de alertar que agora não é o melhor momento para haver um exame vestibular porque o foco é salvar vidas. Porém, esse não é o mesmo pensamento do Inep que resolveu manter a realização do exame para os meses de outubro e novembro. Em uma fala do ministro da Educação, Abraham Weintraub, “o Enem não foi feito para corrigir injustiças sociais e,sim, para selecionar os melhores candidatos”. Essa fala do ministro demonstra a despreocupação do governo em relação a situação desses alunos que irão prestar o exame esse ano e como não está disposto a reavaliar a conjuntura educacional na pandemia.


Desse modo, fica explícito que a educação em tempos de pandemia passa por muitas adversidades e potencializou desigualdades. Não há um precedente para isso na história, essa situação é novidade para todos e soluções ainda estão sendo criadas, naturalmente a melhor alternativa para educação seriam as aulas presenciais, mas o momento que vivemos, com todas as suas dificuldades e mazelas, não permite isso. As respostas dadas a essa situação são decisivas, elas podem aumentar uma evasão escolar- algo já presenciado ultimamente- e permanecer nesse caminho de acentuamento das desigualdades, mas também podem, se eficazes e adequadas às diferentes realidades, trazer um olhar ainda mais completo para educação com a promoção de aulas mais interativas, com diferentes didáticas e abordagens e ferramentas que auxiliem um ensino mais completo para toda a população.



Referências bibliográficas:


Domicílio 2018 revela que 40,8 milhões de usuários de internet utilizam aplicativos de táxi ou transporte. CETIC.BR, 28 ago. 2019, Disponível em:https://cetic.br/noticia/tic-domicílios-2018-revela-que-40-8-milhões-de-usuários-de-internet-utilizam-aplicativos-de-táxi-ou-transporte/. Acesso em: 15 mai. 2020


Enem 2020 tem 2,8 milhões de inscritos, aponta balanço do INEP. G1, 14 mai. 2020. Educação. Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/enem/2020/noticia/2020/05/14/enem-2020-tem-28-milhoes-de-inscritos-aponta-balanco-do-inep.ghtml. Acesso em: 15 mai. 2020.


Educação. Roda Viva. São Paulo: TV Cultura, 13 abr. 2020. Programa de TV.


A educação a distância não é para todos. [Locução de]: Rodrigo Vizeu e Magê Flores. Spotify em parceria com Folha, 5 mai. 2020. Podcast. Disponível em: https://open.spotify.com/episode/2FEifKvdzX50NbM9Ojqqe2?t=0. Acesso em: 14 mai. 2020.


MORALES, Julia. Coronavírus no Brasil: como a pandemia prejudica a educação. Guia do Estudante, 17 mar. 2020. Disponível em:https://guiadoestudante.abril.com.br/atualidades/coronavírus-no-brasil-como-a-pandemia-prejudica-a-educação/. Acesso em: 14 mai. 2020.


Por que o Governo quer o Enem 2020 a qualquer preço?. Gabriela Prioli. Youtube. 14 mai. 2020. 14min53s. Disponível em:https://www.youtube.com/watch?v=SDD7OAcGmCg. Acesso em: 15 mai. de 2020.


EDUCACAO.UOL. Os desafios da educação à distância, adotada às pressas na quarentena... - Veja mais em https://educacao.uol.com.br/noticias/bbc/2020/04/17/os-desafios-da-educacao-a-distancia-adotada-as-pressas-na-quarentena.htm?cmpid=copiaecola. Disponível em: https://educacao.uol.com.br/noticias/bbc/2020/04/17/os-desafios-da-educacao-a-distancia-adotada-as-pressas-na-quarentena.htm. Acesso em: 16 mai. 2020.






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