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A necessidade da preservação da Camada de Ozônio

  • Foto do escritor: GEPESOI
    GEPESOI
  • 11 de mai. de 2020
  • 4 min de leitura

Atualizado: 18 de mai. de 2020

O Dia Mundial para a Preservação da Camada de Ozônio foi instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1994, através da resolução 49/114, em comemoração da assinatura do Protocolo de Montreal - um tratado internacional de comprometimento com a substituição das substâncias que demonstram ser responsáveis pela destruição do elemento ozônio na atmosfera. Assim, pretendeu-se chamar a atenção da comunidade internacional para a tomada de medidas por meio de ações globais, regionais e nacionais no que concerne à proteção da camada de ozônio.


Evidências científicas vêm mostrando que substâncias fabricadas pelo homem estão degradando esta frágil camada. Em 1977, cientistas britânicos detectaram pela primeira vez a existência de um buraco na mesma sobre a região da Antártida. A partir de então, vêm surgindo novas evidências de afinamento da camada em várias partes do mundo, especialmente nas regiões próximas do Pólo Sul e, ainda mais recentemente, também do Pólo Norte. Os principais agentes causadores dessa destruição das moléculas de ozônio se dão pela reação gerada no contato com óxidos nítricos e nitrosos expelidos pelos exaustores dos veículos, o gás carbônico produzido pela queima de combustíveis fósseis e, de maneira ainda mais intensa, pelo grupo de gases chamado clorofluorcarbonos, os CFCs, geralmente usados como propelentes em aerossóis, isolantes em equipamentos de refrigeração e para produzir materiais plásticos.

Visto que o problema transcende ações unilaterais, ações multilaterais como propostas mostram-se essenciais. Ao analisar-se os dados mais recentes sobre a camada de ozônio, percebe-se uma urgência em sua conservação. O buraco presente, de acordo com uma pesquisa realizada pela NASA no final do ano passado, tem hoje cerca de 23 milhões de quilômetros quadrados e concentra-se sobre a região da Antártida, devido à reação química de cloro e bromo favorecida pelo frio extremo e grande quantidade de luz na região. Outro fator importante a ser analisado é a questão do óxido nitroso. Essa substância, muito utilizada em estações de esgoto e fertilizantes agrícolas, está sendo alvo de observação, uma vez que intensifica o efeito estufa ao capturar calor. Informes divulgados na 19º Conferência das Nações Unidas sobre o Clima apontaram que a concentração desse gás na atmosfera, conhecido também como “gás do riso”, iria aumentar 83% até 2050.


Apesar do cenário urgente, as pesquisas recentes apontam para uma certa melhora na conservação da camada de ozônio. A perspectiva positiva, segunda a NASA, vem do resultado do comprometimento dos países com o Protocolo de Montreal de 1994. De acordo com uma pesquisa do mesmo órgão, comparada com uma semelhante de 2005, o nível de cloro, presente nos CFCs, diminuiu 20%, tendo redução de 0,8% ao ano. Mesmo com a melhora observada, é necessário atenção para que os protocolos e leis que regulamentam as emissões dos gases poluentes continuem a ser cumpridos para que, em meados de 2080, o buraco presente na camada de ozônio tenha quase desaparecido.


A destruição da camada de ozônio implica em grandes problemas, como mencionado, sem ela, os raios ultravioleta (UV) entram em quantidades muito maiores na atmosfera, gerando índices mais altos de câncer de pele, danos na visão, como catarata, e até a diminuição da imunidade; ademais, a radiação afeta a vida marinha, colocando em risco toda a biodiversidade aquática ao colocar em cheque a produtividade do fitoplâncton, provocando até desequilíbrios ambientais, já que ele é o responsável pela grande parcela de oxigênio na atmosfera, o verdadeiro pulmão do mundo.

Além disso, a produção agrícola também é afetada, o que comprometeria a oferta de alimentos mundialmente, algo bastante problemático. É interessante salientar que, o buraco da camada de ozônio não afetou e nem afeta os países de modo homogêneo, é fato que os problemas são de ordem global e concernem toda a humanidade, ao passo que refletem a possibilidade da perpetuação da vida na terra. Porém, países com altas latitudes acabam sendo mais expostos aos problemas dessa questão ambiental, isso devido a maior exposição dessas áreas aos raios solares, e também, aqueles inseridos em locais com altas latitudes e ao mesmo tempo mais próximos da Antártida, como Chile e Argentina, faz com que sejam mais vulneráveis.


Por fim, as maiores críticas aos tratados ambientais internacionais são justamente sua comprovada falta de adesão e/ou comprometimento por parte das nações. Contudo, a bem sucedida empreitada de se restaurar a camada de ozônio, iniciada, mais concretamente, em 1987 com o protocolo de Montreal, que dispunha as problemáticas do CFCs e pedia a eliminação da emissão desses gases, e que abarcou cerca de 150 países, prova que apesar de complexa, as tentativas globais de preservação ambiental tem eficácia. O buraco na camada de ozônio vem diminuindo gradualmente ano a ano, o que demonstra que o esforço conjunto dos países pode sim acarretar em melhorias.


REFERÊNCIAS


BBC. Qual é o tamanho atual do buraco na camada de ozônio? Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-45558884 Acesso em: 15 set. 2019.

MMA. A Camada de Ozônio. Disponível em: https://www.mma.gov.br/clima/protecao-da-camada-de-ozonio/a-camada-de-ozonio Acesso em: 15 set. 2019.


NEXO Jornal. Mudança climática: do aquecimento da terra ao colapso ecológico. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/explicado/2019/06/16/Mudança-climática-do-aquecimento-da-Terra-ao-colapso-ecológico Acesso em: 15 set. 2019.


NEXO Jornal. Por que o buraco na camada de ozônio diminuiu, segundo a NASA. Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/01/09/Por-que-o-buraco-na-camada-de-ozônio-diminuiu-segundo-a-Nasa1 Acesso em: 15 set. 2019.


WWF. O que é a camada de ozônio? Disponível em: https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/camada_ozonio/ Acesso em: 15 set. 2019




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