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A perspectiva educacional dentro de Fahrenheit 451

  • Foto do escritor: GEPESOI
    GEPESOI
  • 11 de mai. de 2020
  • 3 min de leitura

Atualizado: 18 de mai. de 2020

Escrito por Ray Bradbury e publicado no ano de 1953, Fahrenheit 451 é até hoje um dos clássicos das distopias no mundo. Marcado como o oposto da utopia, o universo criado por Bradbury se inspirou na queima de livros que ocorreu durante a ascensão do nazismo na Alemanha antes e durante a Segunda Guerra Mundial, tomando para si outros aspectos da sociedade que via florescer. A obra recebeu inúmeros prêmios e reconhecimento internacional, tendo sido publicada em diversas línguas e detendo duas adaptações para o cinema.


A trama acompanha Guy Montag, um bombeiro, cuja função única era de queimar livros, e não apagar incêndios, que após seu encontro com uma jovem, Clarisse McClellan, começa a duvidar de todo o seu sistema. Em um universo praticamente sem leitura, no qual a principal forma de entretenimento são as grandes televisões, o controle social ocorre livremente e a vida torna-se cada vez mais vazia de sentido. Lidando com a necessidade de mudança, uma esposa vazia, um rígido capitão dos bombeiros e um cão articulado, Montag tem de escolher entre se rebelar contra um sistema de vida ou manter-se neste pleno estado de dominação.

Desse modo, o livro Fahrenheit 451 torna-se muito mais que uma simples produção literária, é uma obra que proporciona reflexões profundas sobre o modo de vida contemporâneo, a superficialidade das relações humanas e a desvalorização progressiva, além de perigosa, do conhecimento. Assim, tal distopia é uma crítica direta ao modo extremamente mecânico de se encarar o mundo e as próprias pessoas, em que, nessa lógica, aspectos fundamentais da vida humana são deixados de lado em nome de uma propaganda falsa de “felicidade”, essa, cada vez mais encarada como estabilidade econômica e social do que de fato um sentimento, relacionado à alegria, ao amor, ao sorriso.


Nessa sociedade distópica esse é um dos motivos por quais as pessoas são proibidas de ler livros, pois o conhecimento leva ao pensamento crítico, leva à reflexão, e com eles nascem as críticas, o sentimento de infelicidade ou injustiça, e, com elas, a inquietude e a vontade mudança. Quando não se tem isso, quando a capacidade crítica do indivíduo é amenizada, tudo parece belo e funcional, além de ser mais fácil de ser dominado, é essa a maior crítica do autor, e por isso que sua leitura é tão provocativa.

Além disso, o livro também mostra como a importância do diálogo, da convivência,do sentimento, da reflexão em si, ou seja, de tudo aquilo que nos torna humanos, ao serem negligenciados, levam ao ponto de ocorrer a banalização da vida e o desincentivo ao contato afetivo entre os indivíduos, aspectos que contribuem para o conveniente controle dessa sociedade hedonista e alienada construída por Ray Bradbury.


Com isso, fica claro que o principal motivo que levou a tal cenário foi o abandono da educação, foi a alienação das personagens quanto a tudo que ocorria em volta delas, quanto a tudo que fazia dela humana. Não ter contato com livros, não saber história, filosofia, literatura, não ter tido a chance de pensar por si mesmo, não ter ido atrás de saber a verdade, esse foi o primeiro passo que levou às personagens a deixarem de compreender o sentido da própria existência humana, a deixarem de compreender os sentimentos, a beleza dessa inquietude do pensamento humano, que é o que nos traz o novo, o belo, é o que nos desenvolve, e, é o que dá sentido à vida, sem ela não somos capazes de entender o que é felicidade, muito menos de senti-la.


Portanto, construído como uma forma intrínseca de atentar o leitor aos perigos que negligenciar a educação acarreta, Fahrenheit 451 problematiza a postulação de ideias preconcebidas por figuras de poder como verdade absoluta, o que a ausência de questionamento causa em uma sociedade e como a extrema dependência de tecnologias e mídias como única forma de guiar o indivíduo interfere drasticamente na construção do mesmo como ser pensante. Então, além de uma história, tal obra se apresenta como passagem direta para uma viagem de autoconhecimento e reflexão, em que, ao apresentar situações extremas de vários contextos, coloca em xeque as nossas próprias concepções contemporâneas.




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