top of page

A Questão Palestina

  • Foto do escritor: GEPESOI
    GEPESOI
  • 29 de jun. de 2021
  • 7 min de leitura

Contexto histórico:


É mais correto localizar as origens da Questão Palestina entre os séculos XIX e XX,

com especial ênfase no fim da Primeira Guerra Mundial e no conseguinte esfacelamento do

Império Otomano. Os territórios que estavam sob domínio turco (qual seja todo o Oriente

Médio) foram divididos entre o Reino Unido e França, à época potências imperialistas. Dentre

esses territórios estavam a Palestina: antes uma província do Império Otomano, ela passou ao

domínio inglês. Com isso, o movimento sionista teria uma chance de prosperar.

O sionismo foi um movimento etnonacionalista judeu que se originou em torno do

século XIX, como resposta ao crescente antissemitismo na Europa; ele propunha como solução

a formação de um etnoestado judeu na Palestina. Os sionistas receberam apoio do governo da

Inglaterra, que, ao obter controle sobre território palestino, passou a facilitar a migração de

colonos para lá. Entretanto, a Palestina já era habitada, sobretudo por árabes: para ocupar terras e se estabelecer como maioria demográfica, os sionistas passaram a expulsar as populações nativas de seus lares de modo a estabelecerem assentamentos exclusivamente judeus, empreendendo o que, na prática, foi uma política de limpeza étnica.

Em 1947 ocorreria outro ponto de inflexão importante, com a independência da região

do domínio inglês. Sua tutela passou às mãos da ONU, que propôs a divisão do território em

dois Estados, um palestino e o outro, sionista. Surgia, em tese, o Estado de Israel. Porém, antes

que o Estado da Palestina pudesse se oficializar, as forças israelenses invadiriam seus territórios de modo a continuar a campanha de ocupação de terras e de limpeza étnica do povo palestino.

Países árabes vizinhos responderam com confronto armado, mas a guerra serviu de pretexto para que o Estado de Israel avançasse e ocupasse ainda mais territórios. A expansão massiva veio com uma onda de colonização de similar porte, levando à expulsão de milhares de palestinos de seus lares, quando não ao pleno massacre. Esse evento ficou conhecido como a al-Nakba. Hoje são sete milhões de refugiados palestinos espalhados pelo mundo, proibidos de retornar às suas terras ancestrais.

A partir daí, a imigração a Israel continuaria, pari passu à expansão dos assentamentos

judeus, à tomada de territórios ocupados por palestinos e à restrição de seus direitos; o regime

de apartheid se consolidava cada vez mais. Além disso, cada nova guerra era usada como

pretexto para maior expansão territorial israelense — até a Guerra dos Seis Dias, em 1967,

quando Israel enfim ocupou tudo o que hoje é seu território de facto atual.

Os palestinos, é claro, sempre resistiram às diversas formas de opressão impostas por

Israel. Nesse sentido, o movimento de resistência conhecido como Primeira Intifada culminou

nos acordos de paz de Oslo, os quais estabeleceram uma divisão territorial. O que restava de

território palestino (em suma, a faixa de Gaza e a Cisjordânia) foi repartido em três partes: a

primeira sob controle civil e militar israelense; a segunda, sob controle civil palestino, mas

controle militar israelense; e a terceira, sob controle civil e militar palestino. Entretanto, esses

acordos foram considerados insuficientes, além de nunca serem realmente efetivados: os

assentamentos continuaram, tal como modo que as restrições. Ainda hoje, toda a Palestina

continua sob controle militar e econômico israelense.


Contexto atual:

Mesmo após décadas da constituição do Estado de Israel, as fronteiras dele ainda não

foram completamente estabelecidas e, dessa maneira, continua sendo uma fonte de inúmeros

conflitos, principalmente entre Israel e Palestina. Jerusalém, cidade considerada sagrada para

as três maiores religiões abraâmicas, deveria, no plano elaborado pela ONU em 1947, possuir uma administração internacional, porém esse plano nunca entrou em vigor efetivamente. Em

1948, acordou-se que os palestinos viveriam no Oeste e os judeus, no Leste. Porém, Israel considera a cidade sagrada parte integral de seu território, o que fica evidente com a aprovação, por israelenses, em 1980, da Lei de Jerusalém, que declara a cidade, sem divisões, como a capital de Israel. A ONU condenou essa declaração, pois, conforme dito, a cidade deveria possuir um controle internacional. Jerusalém é, na atualidade, amplamente controlada por Israel, que é, por exemplo, responsável por todas as forças de segurança da cidade. Dessa

maneira, israelenses ocupam áreas na cidade que deveriam ser de ocupação palestina segundo

a comunidade internacional.

Além disso, é importante ressaltar que a Cisjordânia e Gaza também são fundamentais

para entender o atual conflito entre Israel e Palestina. Cisjordânia, um território palestino,

recebe cada vez mais invasões de israelenses por meio de assentamentos. Dessa forma, Israel

está, gradativamente, ocupando mais território palestino na Cisjordânia, o que fica evidente

com o fato de que, nos últimos 20 anos, a população israelense na área dobrou. A Faixa de Gaza

também é um território palestino, que, atualmente, é controlado pelo Hamas. Israel mantém,

porém, controle aéreo e marinho da região.

Os conflitos Israel-Palestina se intensificaram em 2021. O bairro Sheikh Jarrah é um

bairro palestino na parte Oriental de Jerusalém, porém, em 2021, judeus reivindicaram diversos

territórios do bairro e pediram, no tribunal israelense, pelo despejo dos palestinos, evidenciando mais uma das investidas de Israel para tornar a cidade mais judaica. O Hamas, em maio de 2021, com a escalada de tensão entre judeus e palestinos em Jerusalém Oriental, alertou Israel a se retirar do local; dessa maneira, dispararam foguetes, o que desencadeou inúmeros bombardeios realizados por Israel na Faixa de Gaza. Centenas de pessoas, incluindo mulheres e crianças, morreram. Após 11 dias de conflito, um cessar-fogo foi anunciado, porém, ele possuiu pouca medida efetiva, pois Israel manteve sua postura agressiva diante dos palestinos. Em julho, Israel voltou a realizar ataques aéreos na Faixa de Gaza, o que confirma que o conflito não foi encerrado.


Uma questão muito complicada?


Comumente podemos encontrar narrativas que tendem a simplificar, ou até mesmo

manipular, determinados fatos, moldando a opinião pública e validando atitudes que deveriam

ser tanto questionáveis quanto inaceitáveis. Além disso, existem discursos que visam interesses próprios, o que causa uma necessidade ainda maior de cuidado por parte do receptor. No caso do assunto tratado neste texto, esses fenômenos se encontram muito presentes, fazendo com que o debate acerca do tema não permita reconhecer pontos que podem ser cruciais para uma melhor análise dos acontecimentos.

Como já mostrado, o embate entre israelenses e palestinos é um problema que se

mantém há décadas, sendo as principais motivações questões políticas e territoriais, à diferença do que se costuma pensar. Ao redor de todo esse contexto, um ponto em específico chamam atenção: como ocorreu o estabelecimento do Estado de Israel. Isso porque este foi pautado de forma a sujeitar à ocupação militar, expropriação de terras e outros direitos desiguais os palestinos que já viviam naquela região, sendo esses acontecimentos contínuos desde 1948.

Uma vez que os israelenses foram colocados em um território que já era habitado por

um povo nativo e, a partir disso, começaram a anexar cada vez mais terras ao seu domínio,

pode-se entender que o que ocorre naquela região é uma colonização por ocupação. Nesse caso, uma das principais características é a reivindicação à força da soberania sobre um território, erradicando e apagando a história, cultura e soberania nativa.

Assim, uma atenção mais detalhada deve ser dada às narrativas sionistas, haja vista que

utilizam-se da lógica de eliminação. Desta, são desenvolvidas justificativas morais e os meios

possíveis para que ocorra a remoção dos nativos, visando, com isso, o estabelecimento do

Estado de Israel e a limpeza étnica dos palestinos. Entre os pontos de discussão sionistas,

comumente são expostas ideias como “uma terra sem povo para um povo sem terra” ou “não

existe palestino”, por exemplo.

É tendo isso em mente que Mark Muhannad Ayyash escreve, em um artigo de opinião na Al Jazeera, que “as perdas palestinas são muito mais sérias do que convencionalmente sugere o tipo de pensamento ‘salve a solução de dois Estados antes que seja tarde’” (Ayyash, 2020). Várias questões tornam o assunto mais problemático do que parte do senso comum tem

conhecimento, sendo que uma abordagem superficial sobre esse e outros casos acaba por ajudar a perpetuar discursos hegemônicos que, por vezes, tendem a suprimir a existência de diversos povos e minorias.

Portanto, é necessário que a questão envolvendo os palestinos seja melhor discutida,

destacando de forma clara a colonização territorial que o povo vem sofrendo e pontuando de

modo abrangente o contexto e motivos que levaram judeus e palestinos a entrarem em um

intenso conflito que já perdura há décadas.


Autores: Isabel do Nascimento Gonçalves, Lara Rael Santinelo, Matheus da Silva

Nunes


Referências Bibliográficas:

Em 3 mapas, como território palestino encolheu e Israel cresceu desde a partilha da

ONU em 1948. BBC News. 18 de maio de 2021. Disponível

em<https://www.bbc.com/portuguese/internacional-57147042>. Acesso em 22 de jun de

2021.

BRAUN, Júlia. Seis pontos para entender a disputa por Jerusalém: Sagrada para três

religiões, a cidade é palco de conflito milenar. Veja. 8 de dez de 2017. Disponível em

<https://veja.abril.com.br/mundo/seis-pontos-para-entender-a-disputa-por-jerusalem/. Acesso

em 22 de jun de 2021.

O que são os polêmicos assentamentos de Israel na Cisjordânia, foco de conflito

histórico. BBC News. 1 de jul de 2020. Disponível em

<https://www.bbc.com/portuguese/internacional-53244355>. Acesso em 22 de jun de 2021.


Conflito entre Israel e palestinos: por que os dois lados reivindicam vitória após cessar-

fogo. G1. 21 de maio de 2021. Disponível em


<https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/05/21/conflito-entre-israel-e-palestinos-por-que-

os-2-lados-reivindicam-vitoria-apos-cessar-fogo.ghtml>. Acesso em 22 de jun de 2021.


Israel x Gaza: o que explica nova troca de hostilidade três semanas após cessar-fogo. 16


de jun de 2021. Disponível em <https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/06/16/israel-x-

gaza-o-que-explica-nova-troca-de-hostilidades-tres-semanas-apos-cessar-fogo.ghtml>. Acesso


em 22 de jun de 2021.

Decolonize Palestine. Palestine 101, 2021. Disponível em: https://decolonizepalestine.com/.

Acesso em: 24 jun. 2021.


GECI PUC. Aula 2: Origem do Processo Colonial Sionista. Youtube, 22 mai. 2021.

Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rQwrTP0f7sw. Acesso em: 23 jun. 2021.

GECI PUC. Aula 3: Origem do Processo Colonial Sionista. Youtube, 22 mai. 2021.

Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rQwrTP0f7sw. Acesso em: 23 jun. 2021.

Zionism is not colonialism, just Jewish self-determination. Disponível


em<https://decolonizepalestine.com/myth/zionism-is-not-colonialism-just-jewish-self-

determination/>. Acesso em 23 de jun de 2021.


Conflito entre Israel e palestinos: o que está acontecendo e mais 5 perguntas sobre a onda

de violência. BBC News. 17 de mai de 2021. Disponível em

<https://www.bbc.com/portuguese/internacional-57149552>. Acesso em 23 de jun de 2021.

Israel and Palestine: a story of modern colonialism. Open Democracy. 28 de mai de 2018.


Disponível em <https://www.opendemocracy.net/en/north-africa-west-asia/israel-and-

palestine-story-of-modern-colonialism/>. Acesso em 23 de jun de 2021.


Israel is a settler colony, annexing native land is what it does. Al Jazeera. 7 de jul de 2020.


Disponível em <https://www.aljazeera.com/opinions/2020/7/7/israel-is-a-settler-colony-

annexing-native-land-is-what-it-does>. Acesso em 23 de jun de 2021.

Comentários


Unesp - Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho" 

Gestão Gepesoi 2026

Giovana Machado de Moraes

Marília Zago Kairalla de Queiroz

Rafaela da Silva Moreira

Emannuel Almeida Magalhães

Desenvolvido por Julio Mansano Rodrigues, Giovana Machado de Moraes

bottom of page