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Dia do Combate Mundial à AIDS

  • Foto do escritor: GEPESOI
    GEPESOI
  • 15 de dez. de 2021
  • 7 min de leitura

O dia 1º de dezembro foi definido como Dia Mundial de Combate à AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida) pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A data foi escolhida em 1987 com diversos propósitos, entre eles promover a conscientização sobre a doença, tanto para que haja o compartilhamento de informações visando a prevenção e o entendimento sobre o assunto, quanto para a manifestação de solidariedade com os portadores, combatendo o estigma e preconceito que a eles é imposto. Além disso, a data serve para lembrar aqueles que morreram em decorrência do HIV e também celebrar os avanços no tratamento.

Segundo informações de 2020 da OMS, cerca de 38 milhões de pessoas ao redor do mundo foram diagnosticadas com a doença, das quais apenas 67% têm acesso ao tratamento e ⅔ se concentram no continente africano, além da estimativa de que haviam aproximadamente 7 milhões que não tinham recebido diagnóstico até 2019. Dessa forma, a falta de diagnóstico e tratamento, somados à defasagem no compartilhamento de informações úteis à prevenção, dificultam o combate ao vírus. Por isso, a data também serve para que governos, sejam eles da esfera federal, estadual ou municipal, possam pensar em campanhas de conscientização da população. No Brasil, o Ministério da Saúde promove todos os anos desde 1998 - data disponível no arquivo online do Ministério da Saúde[1] - campanhas ressaltando diversos aspectos, mas com foco na prevenção, com o incentivo do uso de preservativos, e no combate ao preconceito propagado em relação a esse grupo de pessoas.

A AIDS compõe o grupo de doenças chamadas de ISTs, sigla para Infecções Sexualmente Transmissíveis, e seu modo de contágio pode variar desde o ato de ter relações sexuais sem preservativo à compartilhar o uso de agulhas/seringas (ou qualquer instrumento pontiagudo que entre em contato direto com a circulação sanguínea) com pessoas que testem positivo para o vírus HIV (vírus da imunodeficiência humana). Existem outros modos de contágio, sendo a característica presente em todas as situações o contato de fluidos infectados com a circulação sanguínea.

É importante fazer a diferenciação entre o HIV e a AIDS, sendo o primeiro o vírus e o segundo a doença causada pelo tal parasita. Um portador do HIV não necessariamente apresenta AIDS, na verdade, muitas pessoas são carregadoras assintomáticas do vírus, fato que torna a conscientização ainda mais importante e, o uso de preservativos, essencial. Afinal, a maioria dos indivíduos acaba por passar vários anos infectados com HIV antes mesmo de desenvolver qualquer tipo de sintoma característico da doença (sendo a média do período desde o contágio aos sintomas de 10 anos).

Apesar disso, pessoas soropositivas[2] ainda sofrem todos os dias com os estigmas ligados à doença, algo que acaba por dificultar a proteção desses indivíduos e, pessoas que já convivem com a AIDS, de usufruírem de uma vida minimamente saudável. Segundo a UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS), a visão negativa relacionada ao vírus refere-se sobretudo às crenças religiosas, morais etc, algo que pode acarretar em atitudes e sentimentos odiosos em relação às pessoas vivendo com o HIV (como também seus familiares e pessoas próximas) e as populações com maior risco de serem infeccionadas (populações-chave), como gays e outros homens com relações do tipo homoafetivas, profissionais do sexo, travestis e transexuais.

Além do estigma em torno da doença, pessoas infectadas e populações-chave também são alvo de discriminação por indivíduos mal-informados e preconceituosos. Em virtude disso, o preconceito e discriminação relacionados à AIDS contribuem para que muitas pessoas deixem de procurar informações e tratamento, desanimadas com o julgamento social à elas direcionado e pela falta de apoio familiar e/ou de seu círculo pessoal.

Os sintomas da doença são diversos e progridem à medida que o vírus vai se alastrando pelo corpo com o decorrer dos anos. Nem todos apresentam as primeiras reações, e o fato delas se assemelharem ao estado de uma gripe comum dificulta ainda mais o reconhecimento, por parte do indivíduo, de estar com HIV. Entre a terceira e a sexta semana após a contaminação os primeiros sintomas seriam de: mal estar geral, febre, tosse seca e dor de garganta (durando cerca de 14 dias). Já as características da AIDS propriamente dita irão se manifestar apenas muitos anos depois, a mais marcante e talvez problemática, pelo fato de "abrir as portas" para outras doenças infecciosas (como hepatite viral, tuberculose e pneumonia), seria a de abaixar a produção de células de defesa e, com isso, tornar o sistema imunológico extremamente fraco.

A respeito do combate ao vírus, os remédios utilizados vão se tornando cada vez mais eficazes à medida que os avanços medicinais-científicos progridem. O tratamento pode ser feito através de um coquetel com diferentes remédios do tipo antirretrovirais (NRTIs, INSTIs, PIs, NNRTIs e inibidores de entrada), caso do Efavirenz, Lamivudina e Viread. No caso do Brasil e por conta do Sistema Universal de Saúde (SUS) não apenas os remédios são oferecidos de forma gratuita pelo governo, bem como todos os exames necessários para avaliar a progressão da doença e da carga viral. A maioria dos países não chegou ao cenário brasileiro no sentido de um sistema universal de saúde e, infelizmente, os tratamentos são pagos. Algo que leva à limitação do número de pessoas com condições financeiras para tratarem-se de maneira contínua, afinal a doença por ser vitalícia, desde o momento de seu diagnóstico o uso de coquetéis deve ser feito pela vida inteira por parte do infectado.

Além dos medicamentos, profilaxia pós-exposição (PEP), que deveriam ser tomados o quanto antes logo depois da ocorrência de situações de potencial contração do vírus, caso de estupros, relação sexual desprotegida, rompimento da camisinha, acidente com agulhas etc. Existe a profilaxia pré-exposição (PrEP), utilizada por pessoas mais suscetíveis a contrair o HIV, no sentido de reduzir a probabilidade de contágio.

Mesmo não havendo uma cura definitiva, alguns dos avanços realizados pelos cientistas no que diz respeito à AIDS são por exemplo: (1) progressão dos medicamentos tornando as doses menores e mais eficientes; (2) variedade na forma, ou seja, possibilidade de tratamento com pílulas, injeções, adesivos e implantes; (3) desenvolvimento de anticorpos neutralizantes que acabam por compor o sistema imunológico defasado pela doença e combatem a própria cadeia viral do HIV diminuindo seu poder de ação; (4) existência de doses terapêuticas que preparam o corpo para controlar a infecção, apesar de não existirem vacinas de prevenção, a atual vacina com maior potencial desencadeia a produção de anticorpos contra a proteína 3S presente no vírus, sendo assim capaz de combatê-lo com grande eficiência; (5) mutação genética, é uma abordagem em progressão, mas alguns cientistas buscam criar artificialmente a mutação presente em cerca de 1% da população mundial, tais pessoas têm um genoma específico que os torna resistentes ao HIV, a meta seria a replicação de tal genoma visando sua implementação em corpos contaminados.

Como dito anteriormente, no Brasil é possível ter acesso ao tratamento por meio do SUS, sendo esse um importante passo na evolução da tratativa do país para com a doença. Desde 1986 foi estabelecido pelo governo brasileiro o Programa Nacional de DST e Aids, dois anos depois, em 1988, deu-se início ao fornecimento de medicamentos para tratamento das infecções oportunistas (que acometem a pessoa soropositiva em virtude do seu debilitado sistema imunológico). Já em 1991, 10 anos após a identificação do primeiro caso de Aids no Brasil, o Ministério da Saúde iniciou a distribuição gratuita de antirretrovirais. No ano de 2008 conclui-se o processo de nacionalização de um teste que permite detectar a presença do HIV em apenas 15 minutos e em 2010 passou a ser oferecida no SUS a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), que pode ser utilizada em até 72 horas após a exposição em uma situação de risco.

Portanto, está claro que o governo brasileiro atua em diversas frentes com relação à AIDS, tanto para conter o avanço da doença como para oferecer tratamento gratuito àqueles que convivem com a mesma, uma atitude de extrema importância em um mundo em que portadores do vírus HIV ainda são alvo de preconceito e, muitas vezes, sofrem em silêncio por receio da discriminação. Sendo assim, o Dia Mundial de Combate à AIDS se coloca como essencial para reforçar a importância de falar sobre o assunto, buscando trabalhar para a criação de um ambiente saudável e acolhedor para os portadores do vírus. Além de conscientizar a população no geral a respeito da doença, afinal um dos grandes efeitos da desinformação é propagar o vírus pelo fato de não saber identificar características básicas da HIV-AIDS como forma de contágio, sintomas da doença e meios de prevenção.


REFERÊNCIAS

BRASIL. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Ministério da Saúde. Campanhas. Disponível em: <http://www.aids.gov.br/pt-br/centrais-de-conteudo/campanhas?page=9>. Acesso em: 06 dez. 2021


BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Disponível em: <http://www.aids.gov.br/pt-br/campanha/campanha-do-dia-mundial-de-luta-contra-aids-2010>. Acesso em: 06 dez. 2021.


HINRICHSEN, Sylvia. Principais sintomas da AIDS (e como saber se tem a doença). Tua Saúde, ago. 2021. IST's. Disponível em: https://www.tuasaude.com/sintomas-da-aids/. Acesso em: 08. dez. 2021.


HIV/AIDS: Quais são os avanços no tratamento mais recentes? PROMED Assistência Médica, 01. dez. 2020. Dicas de Saúde. Disponível em: https://www.promedmg.com.br/aids/. Acesso em: 08. dez. 2021.



ONU. Mettre fin aux inégalités. Mettre fin au sida. Mettre fin aux pandémies. Disponível em: <https://www.un.org/fr/observances/world-aids-day>. Acesso em: 06 dez. 2021.


PINHEIRO, Pedro. Como se pega AIDS? [Formas de contágio do HIV]. MDS - Ministério da Saúde, 04. abril de 2021. Doenças Infecciosas, DSTs. Disponível em: https://www.mdsaude.com/doencas-infecciosas/dst/transmissao-do-hiv/. Acesso em: 08. dez. 2021.


SÃO PAULO. ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE SÃO PAULO. Dia Mundial de Combate à Aids: 38 milhões convivem com a doença no mundo. 2020. Disponível em: <https://www.al.sp.gov.br/noticia/?id=415926>. Acesso em: 06 dez. 2021.


UNAIDS. Estigma e Discriminação. Disponível em: https://unaids.org.br/estigma-e-discriminacao/. Acesso em: 08. dez. 2021.


[1] BRASIL. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Ministério da Saúde. Campanhas. Disponível em: <http://www.aids.gov.br/pt-br/centrais-de-conteudo/campanhas?page=9>. Acesso em: 06 dez. 2021.

[1] Termo científico referente às pessoas que apresentam o vírus HIV.

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