Dia do Professor: Vamos falar das dificuldades enfrentadas por esse profissional tão importante?
- GEPESOI

- 15 de out. de 2020
- 4 min de leitura
Atualizado: 15 de out. de 2020

15 de outubro, dia dos professores!
Hoje nosso texto não é dos mais alegres, mas nosso carinho e agradecimento vai para todos os professores!
Obrigada por transformarem o mundo e as pessoas, buscamos por um Brasil que cada dia mais reconheça o imenso valor de vocês!
“Educar é impregnar de sentido o que fazemos a cada instante!” - Paulo Freire
Dia do Professor: Vamos falar das dificuldades enfrentadas por esse profissional tão importante?
O profissional da educação é aquele responsável por ensinar o aluno a arte de viver e de se adequar a realidade da vida. De fato é a profissão que ensina todas as profissões e está presente em nossas vidas desde o período de alfabetização até a graduação e muitas vezes até além. Dessa forma, é nítida a sua importância para a construção da conduta social dos indivíduos.
Entretanto, os professores, mesmo com tamanha importância, sempre sofreram com a marginalização de sua profissão. Tanto ao se tratar de questões salariais quanto ao de ataques físicos e verbais, por exemplo. Não é de hoje que vemos notícias nos canais de comunicação tratando sobre algum tipo de agressão dirigida ao professor tanto dentro da sala de aula quanto fora dela. O professor sempre esteve a mercê de uma desvalorização, tanto de sua profissão, quanto de sua pessoa enquanto um profissional.
De acordo com a OCDE - Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico - o Brasil é o país que tem maior índice de violência contra professores. Um recente acontecimento que envolveu esse aspecto, foram as questões do movimento Escola sem Partido e anti-doutrinação. Movimentos estes que conseguiram tornar a escola e o professor alvos diretos da disseminação de ódio de muitos brasileiros. Sustentado por um braço da direita conservadora, criou uma onda de insatisfação na população, onde era alegado que as instituições públicas, em sua grande maioria, representavam um antro da disseminação de doutrinas da esquerda.
Assim, defendia-se por esse movimento que o papel primordial das instituições escolares, que é a de ensinar, não estava sendo cumprindo. Movido por uma onda de "fake news", foi o professor o alvo central de toda essa discussão. Dessa forma, ataques como o da doutrinação por exemplo, cada vez mais contribuem para a construção negativa da imagem desse profissional e de sua profissão, evidenciando como no Brasil, ao invés de ser exaltado e admirado o esforço e a importância desse profissional, muitas vezes se estimula o contrário.
Desde meados de 2016 é cada vez mais notável uma espécie de “caça às bruxas” que assola professores, em sua maioria de escolas da rede pública entre a segunda parte do ensino fundamental e o ensino superior. Existem diversos fatores que podem ter levado a isso, desde a constante desvalorização da classe, à desinformação vinculada ao debate do ensino de matérias que vão contra ou mesmo são ameaças, como o pensamento crítico, à doutrinas vigentes.
Em 2018, a bolsonarista, até então candidata a deputada por Santa Catarina, Ana Paula Campagnolo, usou das suas redes sociais para incentivar alunos a gravarem professores dentro de sala de aula e os denunciar caso suas "manifestações político-partidárias ou ideológicas "ofendesse " sua liberdade de crença e consciência". Tal mensagem nas redes foi obrigada a ser apagada por determinação do juiz Giuliano Ziembowicz, da Vara da Infância e da Juventude de Florianópolis. Infelizmente esse não foi um caso isolado, em reportagem a BBC News, vários pais relataram que ações como essas eram recorrentes, sempre usando de palavras de baixo calão, atitudes agressivas, entre outras coisas.
Em 2020, com o avanço da pandemia, ficou ainda mais escancarada a maneira desrespeitosa com que os profissionais da educação vem sendo tratados no Brasil. No sistema de educação superior privado, os professores vêm enfrentando a diminuição constante da carga horária de trabalho e, consequentemente, redução do salário, ao mesmo tempo em que ficam mais sobrecarregados devido a necessidade de conciliar as atividades em casa com as aulas à distância. Ainda, algumas universidades particulares vem apresentando demissões em massa para a contratação de profissionais com salários inferiores. De acordo com o Sindicato dos Professores de São Paulo, cerca de 1674 profissionais foram demitidos desde abril só na capital paulista.
Dado o exposto, é evidente o processo de precarização que a profissão de educador vem enfrentando. Todo o conjunto de situações desgastantes que os professores são expostos, como violência dentro de sala de aula, perseguição ideológica, defasagem salarial (que claramente não supre todo o trabalhado realizado dentro e fora das salas de aula) associados com a constante desvalorização, até mesmo por parte do governo, afetam diretamente a qualidade de vida e de trabalho desses profissionais, resultando em uma alta taxa de professores que entram em depressão ou sofrem de doenças relacionadas à estresse, como revela pesquisa divulgada pela Globonews, antes mesmo da pandemia.
Autores: Amanda Carvalho de Souza, Leonardo Ramos Paiva e Luiza Correia.
Referencias bibliográficas:
BBC. Mesmo sem lei, Escola sem Partido se espalha pelo país e já afeta rotina nas salas de aula. Disponível em:
ELPAÍS. “É cruel”: professores encaram aulas virtuais com 300 alunos e demissões por ‘pop-up’ na tela. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2020-09-23/e-cruel-professores-encaram-aulas-virtuais-com-300-alunos-e-demissoes-por-pop-up-na-tela.html
G1. Faculdades particulares de SP lotam salas virtuais com até 180 alunos e demitem mais de 1.600 professores durante pandemia. Disponível em: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2020/09/02/faculdades-particulares-de-sp-lotam-salas-virtuais-com-ate-180-alunos-e-demitem-mais-de-1600-professores-durante-pandemia.ghtml





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