Filmes, Séries e Teatro #VidasPretasImportam
- GEPESOI

- 11 de jun. de 2020
- 10 min de leitura
Atualizado: 4 de jul. de 2020

Para todos os amantes da sétima arte, nessa semana selecionamos algumas indicações de filmes e séries que tem como foco a história de pessoas pretas!
Começando pelo Cinema!
Filmes:
Se a Rua Beale Falasse
Um drama baseado no célebre romance de James Baldwin, o filme acompanha Tish (Kiki Layne), uma grávida do Harlem, que luta para livrar seu marido de uma acusação criminal injusta e de subtextos racistas a tempo de tê-lo em casa para o nascimento de seu bebê. O filme conta com grandes nomes como o de Regina King e é muito bem avaliado pela crítica. Aviso que é um filme muito forte, mas que merece muito reconhecimento.
A 13º Emenda
Documentário que discute a décima terceira emenda à Constituição dos Estados Unidos - "Não haverá, nos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito a sua jurisdição, nem escravidão, nem trabalhos forçados, salvo como punição de um crime pelo qual o réu tenha sido devidamente condenado" - e seu terrível impacto na vida dos afro-americanos. Muito bem avaliado pela crítica este documentário pode ser assistido na Netflix.
O Menino que Descobriu o Vento
Filme de drama lançado em 2019, “O Menino que Descobriu o Vento” retrata a história de um jovem de Malawi que sempre esforçando-se para adquirir conhecimentos cada vez mais diversificados, se cansa de assistir todos os colegas de seu vilarejo passando por dificuldades e começa a desenvolver uma inovadora turbina de vento. Outro filme muito bem avaliado pela crítica e que pode ser encontrado na Netflix.
Fruitvale Station - A Última Parada
O filme retrata a história verdadeira de Oscar Grant, um jovem de 22 anos que enfrenta problemas em sua vida pessoal. O filme fala sobre a violência gratuita da polícia estadunidense aplicada contra pessoas pretas e as consequências que esta pode ter na vida dessas. Com grandes nomes como Michael B. Jordan e Octavia Spencer e dirigido por Ryan Coogler, este é um outro filme com uma ótima avaliação da crítica e dos usuários.
Ó pai, ó
Comédia musical brasileira “Ó pai, ó” lançada em 2007 retrata um animado cortiço do centro histórico do Pelourinho, em Salvador, onde tudo é compartilhado pelos seus moradores, especialmente a paixão pelo Carnaval e a antipatia pela síndica do prédio. O filme que conta com grandes nomes brasileiros como Lázaro Ramos, Dira Paes e Wagner Moura, embora contenha um tom de comédia, revela um lado desconhecido da cidade de Salvador, do seu carnaval e o contraste social. Toca em assuntos como violência, drogas, mídia, preconceito e racismo
Felicidade Por Um Fio
Uma comédia romântica que tem como foco aceitação. Felicidade Por um Fio retrata a história de Violet Jones, interpretada por Sanaa Lathan, uma publicitária de sucesso que após uma grande desilusão resolve mudar o visual, e o caminho de aceitação de seu cabelo está intrinsecamente ligado à sua reformulação como mulher, superando traumas que vêm desde a infância e pela primeira vez se colocando acima da opinião alheia. Pode ser assistido na Netflix.
Guava Island
Uma mistura de suspense, musical, drama e comédia Guava Island conta a história de um jovem músico que possui o sonho de unir todo o seu povo em prol de um grande mesmo objetivo. Ele, então, se aventura a criar um festival de música com os poucos recursos que possui e promete a si mesmo que irá libertar a população da Ilha de Guava, nem que seja por apenas um dia. Filme que tem no elenco Donald Glover, Rihanna e Letitia Wright foi lançado em 2019 e pode ser assistido na Amazon Prime.
Meu Nome É Dolemite
Estrelada por Eddie Murphy, a comédia/drama/biografia acompanha a história de Rudy Ray Moore, personagem importante da história dos negros nos Estados Unidos, sendo pioneiro no movimento cinematográfico e gênero: blaxploitation. O filme conta com um elenco de peso e foi indicado em diversas premiações importantes para a indústria do entretenimento.
Treino Para a Vida
Uma comédia dramática da biografia de Ken Carter, dono de uma loja de artigos esportivos que aceita o trabalho de treinador do time de basquete de sua antiga escola em um bairro mais pobre da cidade. O filme trata sobre diversos assuntos envolvendo a vida dos jovens jogadores do time, em que a grande maioria cresceu em meio a uma realidade de dificuldade. O filme lançado em 2005 conta com Samuel L. Jackson no papel principal e pode ser assistido na Netflix.
Deixamos como indicação também esses filmaços!
Estrelas Além do Tempo
O filme que se passa em 1961 é uma biografia que remonta a história de Katherine Johnson, Dorothy Vaughn e Mary Jackson, três mulheres matemáticas que buscam reconhecimento e ascensão de suas carreiras dentro a NASA, local extremamente hierarquizado e preconceituoso, durante a Guerra Fria. “Estrelas Além do Tempo” tem em seu elenco grandes nomes como Taraji P. Henson, Octavia Spencer e Janelle Monáe e conta com um bom desempenho em sua avaliação.
Pantera Negra
Desculpem o óbvio mas não podíamos deixar de trazer algo para os amantes de super-heróis. Pantera Negra foi o primeiro filme do gênero com um protagonista preto e o filme quebrou grandes fronteiras para que novos possam surgir. Com um elenco majoritariamente preto e tendo no elenco nomes como Chadwick Boseman, Letitia Wright, Danai Guria e Michael B. Jordan, o filme dirigido por Ryan Coogler conta a história de T’challa se tornando rei de Wakanda após a morte do pai. O filme retrata o racismo e as barreiras enfrentadas pela população preta, principalmente, no Ocidente. Este é um dos maiores filmes de estreia de um herói do Universo Cinematográfico da Marvel com uma das maiores bilheterias do mesmo, além disso foi muito bem avaliado pela crítica e pelo público.
O ódio que você semeia
Filme de drama que conta a história de Starr Carter, uma adolescente de dezesseis anos que presencia o assassinato de Khalil, seu melhor amigo, por um policial branco. Ela é forçada a testemunhar no tribunal por ser a única pessoa presente na cena do crime. Mesmo sofrendo uma série de chantagens, ela está disposta a dizer a verdade pela honra de seu amigo, custe o que custar. Com ótimos reviews o filme apresenta uma história em que fica evidente a agressividade policial estadunidense contra a população preta.
Séries:
Black-ish
Black-ish é uma comédia estadunidense que retrata a vida de uma família preta que está inserida nas classes mais altas da sociedade e vivendo o “Sonho Americano”: ótimas carreiras, quatro lindos filhos, uma casa colonial em um bairro de classe média. A questão que se coloca é o quanto a inserção neste mundo está afastando eles de sua identidade cultural. A série que conta com 7 temporadas e foi criada por Kenya Barris, tem grandes nomes em seu elenco como é o caso do ator Anthony Anderson. No Brasil a série é transmitida pelo canal Sony e também se encontra na Netflix.
Grown-ish
Esta série de comédia é um spin-off de “Black-ish”, desta vez na perspectiva de sua filha mais velha. A história conta a adaptação de Zoey na faculdade e se tornando uma pessoa independente de seus pais, iniciando a vida adulta e todas as dificuldades que vem com ela. A série tem 4 temporadas e continua em produção, ela pode ser assistida na Netflix.
Essa série é uma sitcom da Netflix que conta a vida de Kenya Barris (criador de Black-ish), mas na perspectiva de sua filha. A história retrata o cotidiano de uma família tratando de temas como a paternidade, relacionamentos em geral, raça e cultura. A série conta com 8 episódios e seu tom de “mockumentary” faz com ela seja ótima para maratonar.
Master of None
Esta é uma outra comédia estadunidense que acompanha a vida profissional e pessoal do personagem. Master of None tem Aziz Ansari como protagonista e diretor, e conta de maneira cômica sobre a vida de uma ator de 30 anos morando em Nova Iorque. A série retrata diversos temas, desde direito dos idosos à rotina dos imigrantes em um país estrangeiro. São 2 temporadas e podem ser assistidas na Netflix.
Atlanta
Atlanta é uma mistura de comédia e drama e tem Donald Glover como ator principal e diretor. A série conta a história de Earn que sai da faculdade para virar o agente da carreira de súbito sucesso de seu primo. Diversas tramas surgem daí, inclusive discussões sobre a divisão entre arte e entretenimento no hip-hop. A série conta com 4 temporadas e além de Glover tem no elenco Lakeith Stanfield e Zazie Beetz.
A Vida e a História de Madam C.J. Walker
Esta série é um drama histórico da biografia de Madam C.J. Walker, uma ativista social e a primeira mulher milionária dos Estados Unidos a conquistar a própria fortuna: por meio de uma linha de produtos capilares e cosméticos para mulheres negras. A série que conta com Octavia Spencer vivendo Madam C.J. Walker teve sua primeira temporada lançada recentemente na rede de streaming Netflix, e conta com 4 episódios.
The Get Down
Um drama musical que já é conhecido por muitos mas que merece uma indicação. The get down é uma série ambientada na cidade de Nova Iorque nos anos de 1970 e conta a história de como, à beira das ruínas e da falência, a grande metrópole deu origem a um novo movimento musical no Bronx, focado nos jovens negros e de minorias que são marginalizados. Entre o surgimento do hip-hop e os últimos dias da Disco Music, a história se costura ao redor das vidas dos moradores do Bronx e de sua relação com arte, música, dança, latas de spray, política, religião e Manhattan. A série tem apenas 1 temporada, mas com uma ótima review do público, e pode ser assistida na Netflix.
Teatro:
E não podíamos deixar de fora o Teatro!
Ficam aqui indicações de peças e grupos de teatros belíssimos que tratam dessa questão com muita seriedade e amor, encantando todos os corações.
Projeto PRETO
É a nova criação do dramaturgo e diretor Marcio Abreu, junto à companhia brasileira de teatro e artistas colaboradores. Um trabalho no teatro que promove uma investigação sobre racismo e negação das diferenças a partir da vivência brasileira e em perspectiva com o mundo. Uma experiência que busca expandir através da arte as percepções sobre o outro e sobre os espaços de convivência e de formação das sensibilidades. A peça se articula, então, a partir da fala pública de uma mulher negra, uma espécie de conferência que se desdobra em imagens, mediações da palavra, ressignificações dos corpos, ativação da escuta e reverberação de sentidos numa sequência de tentativas de diálogo.
LICÍNIO JANUÁRIO E COLETIVO PRETO.
Formado por Drayson Menezzes, Licínio Januário, Orlando Caldeira e Sol Menezzes, o Coletivo Preto conta com duas obras de repertório, “Lívia” e “Será que vai chover”.
SOL MIRANDA E GRUPO EMÚ.
Formado por nomes como Sol Miranda, Thiago Catarino e Reinaldo Júnior, o Emú estreou em 2016 com a peça “Mercedes”, com dramaturgia inspirada na história da dançarina Mercedes Baptista — a primeira bailarina negra a ingressar no Municipal. Do Emú também surgiram projetos como a Mostra Ultrajado e a Segunda Black
COLETIVO BONOBANDO.
Formado em 2014 na Penha, durante uma residência artística na Arena Dicró, o Coletivo Bonobando criou peças elogiadas como “Cidade correria” (2015) e ”Jongo mamulengo” (2016).
ORQUESTRA DE PRETOS NOVOS.
Formado em 2017, o grupo une talentos do teatro musical e busca desenvolver um formato de teatro musical que represente aspectos da cultura negra e que aborde os dilemas vividos pelos artistas negros contemporâneos.
Peças de autores teatrais pretos:
ANTIMEMÓRIAS DE UMA TRAVESSIA INTERROMPIDA – Aldri Anunciação
O texto narra o confinamento solitário de uma mulher africana, escravizada no século XIX, que foi jogada de um navio negreiro no oceano Atlântico no trânsito para o Brasil. Fantasticamente, ela passa a morar no fundo dos mares. Dessas profundezas, ela reflete sobre a contemporaneidade e reconstrói suas memórias por meio de objetos que caem dos navios.
ESPERANDO ZUMBI – Cristiane Sobral
Uma mulher espera e desespera ansiosamente seu homem e enxerga a si mesma diante dos paradoxos da construção e desconstrução da sua identidade brasileira, preta e feminina. A peça é um manifesto sensível, a partir de um ponto de vista afrocentrado e feminino.
COLETIVO NEGRO
Grupo teatral formado através da parceria entre atores negros da Escola Livre de Teatro de Santo André e da Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo (USP) em 2008. Seu objetivo é realizar peças e trabalhos que desenvolvam uma investigação poético-cênico-racial. É possível acessar o trabalho do grupo através do site http://coletivonegro.com.br
FARINHA COM AÇÚCAR OU SOBRE A SUSTANÇA DE MENINOS E HOMENS – Jê Oliveira
O texto para espetáculo de teatro com música é uma homenagem ao legado da banda Racionais MCs. Por meio de “paisagens” de som e imagem, a peça aborda a experiência de ser homem negro na periferia urbana. Uma das propostas do roteiro é provocar uma relação de intimidade entre o público e a trama, por meio da palavra falada e cantada.
BURAQUINHOS OU O VENTO É INIMIGO DO PICUMÃ – Jhonny Salaberg
Um menino negro, nascido e criado em Guaianases, zona leste de São Paulo, vai à padaria a pedido da mãe, no primeiro dia do ano, e é “enquadrado” por um policial. A partir daí, o garoto começa uma saga pela sobrevivência e sai pelo mundo, por países da América Latina e da África. Pelo caminho, ele encontra vários personagens que interligam os acontecimentos da história. Ao longo do percurso, o menino é atingido pelo policial que o persegue, com 111 tiros de arma de fogo
CARNE VIVA – Luh Maza
Três atores, entre cisgêneros e transgêneros, interpretam a protagonista Uma Mulher, nesse monólogo. A narrativa retrata um “fluxo de consciência”. Em fala acelerada, a personagem conta que frequentava a Igreja Católica antes de se entregar ao teatro. Revolta-se contra a “domesticação” da mulher pelo patriarcado; e revisita episódios de sua história, vivida “em meio a carne e sangue”. A obra tem influências de Virgínia Woolf e Clarice Lispector.
O PEQUENO PRÍNCIPE PRETO – Rodrigo França
O Pequeno Príncipe Preto discute o empoderamento e a autoestima de crianças e adolescentes negros que não se veem representados na maioria dos livros, bonecas e bonecos que lhes são oferecidos. Permeado por canções e brincadeiras, a peça semeia o entendimento sobre a importância da valorização da diversidade e da empatia.
O TOPO DA MONTANHA
Dirigida, produzida e protagonizada por Lázaro Ramos e Taís Araújo, a peça - originalmente estreada em Londres em 2009 e posteriormente na Broadway em 2011 - se remete ao último grande discurso de Martin Luther King (I've Been to the Mountaintop) e retrata os acontecimentos que precederam a morte de Martin Luther King, o pastor protestante e ativista político que se tornou ícone por sua luta pelo amor ao próximo e pelo repúdio à segregação racial norte-americana. Em 2019 a peça passou por 11 estados brasileiros e foi vista por mais de 300 mil pessoas.





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