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Importância do Combate à Desnutrição - Por um mundo mais colorido, e menos amarelo

  • Foto do escritor: GEPESOI
    GEPESOI
  • 11 de mai. de 2020
  • 4 min de leitura

Atualizado: 18 de mai. de 2020

“A fome é amarela e dói muito” - Dentre muitas denúncias feitas no livro “Quarto de despejo- diário de uma favelada”, a fome é sem dúvidas uma das que mais chama a atenção do leitor. Ela passa a ser uma personagem na trama, tem cor, tem vontade própria e tem participação diária na vida de Carolina de Jesus - autora do diário - e de toda sua família.


Entretanto, essa não é uma realidade que se restringe à história contada nesse diário. A desnutrição é um problema de caráter mundial, de acordo com uma pesquisa feita pela ONU em 2018, 1 a cada 9 pessoas no mundo vive sob situação de subnutrição, ou seja, continuamente não detém acesso a calorias suficientes para suprir as necessidades energéticas imprescindíveis para permanecerem saudáveis, ou até mesmo vivos durante aquele dia.

Além disso, outros dados liberados pela equipe pesquisadora do Médicos sem Fronteiras, revela que, se considerando apenas crianças que morrem antes dos 5 anos de idade, um terço é em decorrência da desnutrição.


Entretanto, vale ressaltar que a fome é sempre consequência de outros problemas estruturais dos países que a enfrentam diariamente. Como são exemplos: os problemas relacionado às questões sanitárias, que podem levar ao desenvolvimento de doenças verminoses que dificultam ou até mesmo impedem a absorção de nutrientes, mesmo se o alimento é ingerido. Porém, há ainda problemas mais complexos dentro de um país que ocasionam o cenário da desnutrição, e esses, em sua maioria, estão diretamente relacionados à falta de alimento. Alguns exemplos são guerras, pobreza, miséria e alta desigualdade social, ou seja, situações que deixam a população mais carente do país em questão ainda mais vulnerabilizada.


Nesse aspecto, é extremamente necessário pôr em discussão um conflito muito deixado de lado no cenário internacional, mas que compõe hoje a pior crise humanitária do mundo - o conflito do Iêmen. Segundo a ONU, cerca de 14 milhões de pessoas – a metade da população do Iêmen – estão à beira de um surto de fome em breve. Já existe 1,8 milhão de crianças iemenitas desnutridas, das quais mais de 400.000 delas sofrem do estágio mais grave da enfermidade, que as deixa em estado esquelético e correndo risco de morte.


Além disso, vale também conhecermos um pouquinho mais de como o Brasil enfrenta essa questão. Mesmo não sendo um país “desenvolvido" e ainda tendo muitas dificuldades internas a serem enfrentadas, no ano de 2014 esse era citado pela ONU como referência no combate à desnutrição, através de vários projetos governamentais, como o Bolsa-família, o Fome Zero e o Brasil sem Miséria que criaram as bases necessárias para proporcionar uma melhor qualidade de vida à sua população.


Com isso, foi possível reduzir a pobreza em 65%, ademais, com o incentivo do Bolsa-Família, as crianças permaneciam por mais tempo na escola, possibilitando uma educação quanto a hábitos alimentares, higiênicos, dentre outros que acabavam por serem repassados às famílias, criando um círculo virtuoso, dando os meios necessários para facilitar a alimentação, a informação, bem como, diminuindo a pobreza, e consequentemente a fome. Contudo,as políticas sociais brasileiras no combate a fome, em especial com a política do novo presidente, sofreram um retrocesso, ameaçando pôr novamente o Brasil no mapa da fome - o país havia deixado o mesmo em 2014.

Contudo, a fome não possui uma solução simples ou única. Ela deve ser atacada com um pacote de políticas públicas que atuem em diferentes áreas sociais, estimulando o desenvolvimento econômico, social e até político. Além disso, cada região afetada deve ser estudada cuidadosamente para que se entendam as reais raízes do problema, já que a fome sempre vem acompanhada e é ocasionada por diferentes causas. Parte importante deste processo é escutar a população afetada para compreender o significado de fome e pobreza na região e, desenvolver assim um projeto completo e efetivo.


Portanto, fica claro que privar alguém de uma alimentação básica, tirá-lo a chance de viver e ferir toda a humanidade daquela pessoa é prejudicar não só aquela pessoa ou a nação que a mesma habita, mas sim o mundo inteiro. E, por isso trazer "mais cores" para o mundo é essencial e o combate à fome e a desnutrição, em seus próprios países e na ajuda aos demais, deveria ser pauta essencial e de relevância máxima por todo o globo.



REFERÊNCIAS


MATSUURA, Sérgio. Fome avança no mundo: uma em cada nove pessoas sofre com desnutrição. O GLOBO, Roma, 11 set. 2019. Disponível em: https://oglobo.globo.com/sociedade/fome-avanca-no-mundo-uma-em-cada-nove-pessoas-sofre-com-desnutricao-23057867. Acesso em: 25 ago. 2019

MÉDICOS SEM FRONTEIRAS. Desnutrição. Disponível em: https://www.msf.org.br/o-que-fazemos/atividades-medicas/desnutricao. Acesso em: 25 ago. 2019


MONTEIRO, Carlos Augusto. Fome, desnutrição e pobreza: além da semântica. São Paulo. v. 12, n. 1, p. 7-11, 2003. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/sausoc/2003.v12n1/7-11/. Acesso em: 15 ago. 2019

LETRA, Leda. Unicef: crise de desnutrição em quatro países está longe de acabar. ONU News, Nova Iorque. 23 jun. 2017. Disponível em: https://news.un.org/pt/story/2017/06/1589301-unicef-crise-de-desnutricao-em-quatro-paises-esta-longe-de-acabar. Acesso em: 26 ago. 2019

FAO, 2018. The State of Food Security and Nutrition in the World apud WHO. 2017. The double burden of malnutrition. Geneva, Switzerland

Brasil é referência no combate à desnutrição e à pobreza, diz ONU. Pragmatismo Politico, 2014. Disponível em: https://pragmatismo.jusbrasil.com.br/noticias/140080981/brasil-e-referencia-no-combate-a-desnutricao-e-a-pobreza-diz-onu. Acesso em: 26 ago. 2019





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