Lágrimas de Março
- GEPESOI

- 11 de mai. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 18 de mai. de 2020
Com a comemoração do Dia Internacional da Mulher no dia 08, março é caracterizado por sua luta histórica pelo direito e reconhecimento das mulheres. O sentido dessa comemoração é trazer à luz a memória de uma luta, de uma reivindicação por direitos, de um grito por igualdade e liberdade, um grito que se ecoa em cada mulher da contemporaneidade. Desse modo, esse mês tem uma importância histórica de marcha das mulheres, começando com o incêndio em 1857, que ocasionou na morte de 130 mulheres que faziam greve por uma melhor e mais justa condição de trabalho em uma fábrica têxtil estadunidense. Porém, mesmo passando-se tantos anos, a desigualdade de gênero permanece, e está longe de ser superada. O feminicídio, o preconceito, a subalternidade em que o sexo feminino é posto em nossa sociedade, permanece alarmante. A própria criação de um dia específico para memorar isso já demonstra em si ainda a existência dessa distinção na nossa sociedade.
O mesmo país que comemora o dia 08 de março e dedica esse mês às mulheres é o quinto a liderar o ranking mundial de violência contra às mesmas; A mesma Nação que decreta feriado nacional nesse dia permite que uma vez ao ano a violência doméstica seja feita sem penalização; O país que tem o número de vendas de floriculturas multiplicados nesse dia é o que paga diferentemente homens e mulheres para desempenharem a mesma função no mercado de trabalho. Tais exemplos, retirados respectivamente do Brasil, Rússia e Estados Unidos, demonstram como as estruturas que sustentam essa violência ainda estão longe de serem abaladas, e que ainda há um caminho árduo a ser percorrido pelas mulheres em sua luta por reconhecimento.
Desde a cristalização do questionamento e da luta feminina sobre seus direitos no mês de março, certas medidas jurídicas foram tomadas a fim de trazer justiça às vítimas de agressões devido ao seu gênero, como a Lei 13.104/15, criada durante o Governo da Presidente Dilma Rousseff, em 9 de março de 2015, que inclui o feminicídio na categoria de crimes hediondos. Contudo, como dito por Simone de Beauvoir - escritora feminista e socióloga francesa -, os direitos femininos não são permanentes, uma vez que basta uma crise política, religiosa ou econômica para que estes mesmos direitos conquistados, sejam, novamente, postos em dúvida e questionados.
Assim, tomando alguns exemplos recentes, como as ofensas, de conteúdo machista, do presidente Jair Bolsonaro à jornalista da Folha; dentre outras atitudes de teor sexista, tomando como exemplo o ocorrido na cidade de Araucária, Paraná, onde uma vereadora foi chamada a atenção devido ao seu vestuário, o qual mostrava partes de suas coxas. Entende-se, pois, que assuntos de máxima importância política são relevados diante de observações depreciativa. Outrossim, observa-se a continuidade de diversas formas de violação dos direitos femininos em cada parte da sociedade; seja na diferenciação salarial, na desvalorização de um trabalho por ter vindo de mãos femininas, no constrangimento ao falar de métodos contraceptivos e no descaso de grande parte da população mundial, ao fechar os olhos diante de tamanhos acontecimentos.
Dessa forma, mulheres que possuem certa influência mundial levantam suas vozes na tentativa de mostrar ao mundo a importância da luta feminina. No Oscar de 2020, a atriz nascida em Israel, Natalie Portman, compareceu trajada com uma capa na qual estavam bordados os sobrenomes de todas as diretoras que não haviam sido nomeadas ao prêmio - como Greta Gerwig e Lulu Wang -, uma vez que os indicados deste ano eram todos nomes masculinos. A atriz procurava apontar o fato de que trabalhos femininos estavam sendo postos em segundo plano pela Academia, assim como são postos na maioria das vezes na sociedade.
Em suma, o debate à fundo da questão dos direitos das mulheres torna-se cada vez mais latente, já que para alguns, eles foram cedidos à elas e não conquistados. A hipocrisia permanece enraizada na cultura patriarcal, ao mesmo tempo em que o mês da mulher ganha maior importância econômica e deixa a desejar nas medidas efetivamente tomadas para diminuição das taxas de feminicídio. Março, conhecido por suas chuvas intensas, permanece marcado também por lágrimas feminina, e por constantes lutas pela conquista de respeito ao sexo feminino, que, levantando sua voz de igual intensidade, procura mostrar as injustiças e não deixar passarem despercebidos os acontecimentos que marcaram a trajetória delas no mundo, com particularidades regionais, mas de mesmo objetivo.
Referências:
BBC NEWS. Dia Internacional da Mulher: a origem operária do 8 de Março. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-43324887. Acesso em: 15 mar. 2020.
FINDECT. DIA INTERNACIONAL DA MULHER / MARÇO, MÊS DA MULHER. Disponível em: https://findect.org.br/noticias/dia-internacional-da-mulher-marco-mes-da-mulher/. Acesso em: 14 mar. 2020.
POLITIZE. Direito da mulher: avançoes e retrocessos. Disponível em: https://www.politize.com.br/direitos-da-mulher-avancos-e-retrocessos/. Acesso em: 14 mar. 2020.
VEJA.ABRIL. O discreto protesto de Natalie Portman. Disponível em: https://veja.abril.com.br/entretenimento/o-
discreto-protesto-de-natalie-portman-no-oscar-2020. Acesso em: 15 mar. 2020
HYPENESS. Vereadora e alvo de machismo. Disponível em: https://www.hypeness.com.br/2020/02/vereadora-e-alvo-de-machismo-em-sessao-por-calca-rasgada/. Acesso em: 15 mar. 2020.





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