O valor da ciência e da tecnologia em tempos de pandemia
- GEPESOI

- 11 de mai. de 2020
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Atualizado: 18 de mai. de 2020
O valor da ciência e da tecnologia em tempos de pandemia
A curiosidade sempre fez parte da história humana e foi chave de diversos avanços e descobertas ao redor do mundo, algo que acontece até os dias de hoje. Desenvolver novas ideias, especialmente aquelas diferentes do que todos já consideravam como verdade, era uma tarefa muito difícil, fazendo com que vários estudiosos e cientistas tivessem que lutar para terem suas obras reconhecidas. Com o tempo, a sociedade passou por muitas transformações estruturais, econômicas e sociais. Houve a separação entre Igreja e Estado, a industrialização e as variadas fases do capitalismo, sendo esses alguns dos responsáveis pelo incentivo a ciência e pelo surgimento de muitas tecnologias.
Hoje, em pleno século XXI, temos celulares, impressoras 3D, robôs, vacinas, livros digitais, internet e muitas outras coisas, todas construídas com gerações de saberes acumulados e pessoas curiosas muito dedicadas. Porém, todo esse quadro atual veio acompanhado de novos desafios, que não se tornaram mais fáceis mesmo com tanta inovação. A internet diminuiu distâncias e difundiu conhecimentos, mas também se tornou o veículo ideal para espalhar fake news e ideias sem qualquer base científica, fazendo com que as pessoas sejam enganadas e divulguem dados falsos.
Assim, se percebe na atualidade uma grande dificuldade de saber qual informação é ou não verdadeira e com isso nasce também uma desvalorização da ciência. Movimentos como Terra Plana e Anti-Vacina são exemplos desse cenário que têm ganhado mais força, dificultando o repasse de informações fundamentadas para a população. Desse modo, todos esses fatos se tornam muito preocupantes, especialmente se pensando na atual pandemia de Covid-19 que se espalhou pelo planeta.
Neste sentido, o virologista Atila Iamarino afirma que “A gente está descobrindo o que são os serviços essenciais, e estamos voltando a entender o valor de ciência, da mídia (profissional) e dos serviços de saúde. E de sistemas que são fundamentais desde sempre, mas que, em períodos de bonança, são fáceis de negligenciar.” O descaso apontado pelo pesquisador pode ser facilmente ilustrado pelos cortes de investimentos na área de pesquisa, como aconteceu nos últimos anos em países como Estados Unidos e Brasil, por exemplo. Ademais, a presença de líderes que minimizam os alertas e resultados de produções científicas bem como promovem ataques à imprensa tem se mostrado cada vez maior no cenário internacional.
Em momentos de crise, contudo, a ciência e a informação estão sempre na linha de frente. No Brasil, o sequenciamento genético do novo coronavírus aconteceu em apenas 48h após o primeiro caso no país, resultado do trabalho de duas pesquisadoras da USP. No cenário internacional não é diferente, visto que a publicação de estudos científicos sobre o assunto tem se dado de modo que o número saltou de 36 no final de janeiro para 216 em 28 de fevereiro. Neste contexto, outro tema que ganhou destaque foi o papel da robótica, assunto da edição do último dia 25 da revista eletrônica “Science Robotics”, na qual pesquisadores afirmaram que “Já estamos vendo robôs sendo utilizados na higiene de áreas infectadas, na medição de sinais vitais, no monitoramento de controle nas fronteiras e na entrega de alimentos e remédios. As oportunidades são imensas. Novas gerações de robôs, grandes, médios e micro, poderão ser empregados sem o risco de espalhar a doença”. Ainda segundo os cientistas, a pandemia criará uma tendência de mudança no comportamento de organizações, levando à valorização de reuniões virtuais ou de serviços de entrega, por exemplo.
Assim, a produção científica tem pautado o debate e apresentado caminhos não somente para a pandemia, mas também para a informação. Segundo uma pesquisa do Datafolha, a população considera que o jornalismo televisivo (61%) e os jornais impressos (56%) são os veículos mais confiáveis no que tange a divulgação de informações sobre o novo coronavírus. Em seguida, aparecem os programas jornalísticos de rádio (50%) e os sites de notícia (38%). Em oposição, estão os conteúdos de Whatsapp e Facebook em que apenas 12% dos entrevistados dizem confiar. Ademais, diante da pandemia, a audiência do telejornalismo apresentou forte alta, tanto na TV aberta quanto na por assinatura, evidenciado a valorização pela informação de qualidade e, consequentemente, pelo jornalismo profissional.
A Pandemia mostrou então a necessidade que temos da ciência, da pesquisa e da informação verdadeira. Mas, como muito bem ressalta o pesquisador estadunidense H. Holden Thorp: “Ciência não se faz da noite para o dia, precisa de tempo e investimento”. É fundamental que haja um financiamento progressivo e constante para que a comunidade científica esteja a postos para eventuais crises, e muitos países antes- como os Estados Unidos e o Brasil- estavam seguindo políticas justamente contrárias a isso, o que dificultou um maior controle inicial sobre a situação e fez com que as medidas implantadas lidassem com o imediatismo. Países que se conduziam em uma linha de incentivo a ciência tiveram um maior preparo e controle no combate e na contenção do coronavírus, como são exemplos Coreia do Sul e Alemanha.
Desse modo, não há dúvidas de que essa situação está deixando muitas marcas e questionamentos. Mesmo com um cenário futuro de fim da pandemia, fica evidente que não retornaremos ao mundo que existia antes do Covid-19. A crise mostrou arduamente a necessidade de pautar-se em medidas que trazem soluções efetivas, que são baseadas em fatos, ou seja, guiadas pela ciência. Diversas mudanças já estão sendo feitas, muitas dificuldades estão sendo – e ainda serão- enfrentadas, mas o que fica claro é que somente coletivamente reconhecendo e dando o devido valor ao que é verdadeiro é que caminhamos para o progresso.
Bibliografia:
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